À medida que as stablecoins ganham relevância na infraestrutura de pagamentos globais e remessas internacionais, instituições financeiras tradicionais intensificam sua atuação nesse mercado. O lançamento da stablecoin de dólar americano MGUSD pela MoneyGram representa um avanço estratégico em sua abordagem de pagamentos via blockchain. Este artigo detalha o funcionamento da MGUSD, sua arquitetura técnica, o impacto das stablecoins na eficiência dos pagamentos internacionais e analisa os mais recentes movimentos da MoneyGram no setor global de pagamentos digitais.
(Fonte: MoneyGram)
A MGUSD é uma stablecoin lastreada em dólar, lançada pela MoneyGram na rede Stellar. De acordo com a empresa, a MGUSD será integrada ao App MoneyGram, adotando um sistema de carteira de autocustódia que permite aos usuários manter ativos digitais em USD e realizar transferências internacionais ou conversões para moedas locais. Inicialmente disponível nos Estados Unidos, a MGUSD será gradualmente expandida para outros países e regiões.
O setor de pagamentos internacionais tem buscado maior eficiência nas transações, e blockchain e stablecoins surgem como soluções de destaque. A MoneyGram já colaborava com a Stellar Development Foundation, e a MGUSD amplia essa parceria para além da liquidação de pagamentos, abrangendo emissão de stablecoin, gestão de ativos digitais e aplicações em rede.
Tradicionalmente, a MoneyGram dependia de parceiros para compensação e fluxo de fundos. Com a MGUSD, a empresa passa a disponibilizar saldos digitais em dólar diretamente em seus aplicativos para consumidores.
(Fonte: bridge.xyz)
A operação da MGUSD conta com múltiplos provedores de infraestrutura, tendo a Bridge como responsável pela emissão da stablecoin. A Bridge, plataforma de stablecoin ligada à Stripe, recebeu aprovação condicional do Office of the Comptroller of the Currency (OCC) dos EUA, em fevereiro, para buscar uma licença de banco fiduciário federal.
Na prática:
Essa estrutura garante à MGUSD uma emissão segura de stablecoin e gestão eficiente de ativos.
Remessas internacionais historicamente enfrentam altos custos e baixa eficiência. Segundo relatório do Bank for International Settlements (BIS), de 2026, os pagamentos internacionais continuam mais caros, menos transparentes e mais lentos que transações domésticas.
Pagamentos internacionais no varejo podem levar dias para serem liquidados, e muitas vezes não há visibilidade em tempo real sobre o fluxo de recursos e o status do processamento. Dados do Banco Mundial indicam que, no terceiro trimestre de 2025, o custo médio global para enviar US$ 200 internacionalmente foi de aproximadamente 6,36%, ou cerca de US$ 12,72 em taxas e spreads cambiais — bem acima da meta de 3% dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Esses desafios impulsionam a busca por soluções técnicas inovadoras.
Em blockchains, as stablecoins podem reduzir de forma significativa os custos de liquidação on-chain. Conforme a documentação da Stellar para desenvolvedores, a taxa mínima de transação é de 100 stroops, ou 0,00001 XLM — cerca de US$ 0,000002 por operação. Apesar das taxas on-chain serem baixíssimas, usuários ainda podem pagar tarifas para depósitos e saques em moeda fiduciária, conversão de moedas e uso de canais de pagamento locais. Assim, as stablecoins otimizam principalmente a eficiência da liquidação on-chain, sem eliminar todos os custos de pagamentos internacionais.
Além das necessidades de pagamento, o crescimento acelerado do mercado de stablecoins impulsiona a adoção corporativa. Dados da DefiLlama apontam um market cap global de stablecoins próximo de US$ 320 bilhões. Projeção do Citi, de setembro de 2025, estima que a emissão de stablecoins pode alcançar US$ 1,9 trilhão até 2030 em um cenário base. Esse avanço estimula mais instituições de pagamento a testarem novas infraestruturas e modelos de negócios.
A MGUSD é apenas uma das recentes iniciativas blockchain da MoneyGram. Em maio, a empresa anunciou várias parcerias, incluindo uma com a exchange de criptomoedas Kraken, permitindo que usuários em mais de 100 países convertam criptoativos em dinheiro. A MoneyGram também firmou parceria com o projeto de blockchain Tempo, incubado pela Stripe, para viabilizar liquidação em stablecoin e verificação de remessas.
A concorrente Western Union também ingressou no segmento, lançando a USDPT, stablecoin de dólar na rede Solana, em maio. O lançamento inicial ocorreu na Bolívia e nas Filipinas, com planos de expansão para mais de 40 países até 2026.
O lançamento da MGUSD ilustra a evolução das stablecoins de ferramentas de liquidação de backoffice para serviços digitais de dólar voltados ao consumidor em remessas internacionais. Com redes como a Stellar proporcionando liquidação de baixo custo e o mercado de stablecoins crescendo rapidamente, provedores de remessas aceleram a integração dessas tecnologias em seus modelos de negócios. A chegada da MGUSD pela MoneyGram evidencia a busca do setor por soluções de transferência de recursos mais eficientes e acessíveis globalmente.
Q1: O que é a MGUSD?
A: MGUSD é uma stablecoin de dólar americano lançada pela MoneyGram, baseada na blockchain Stellar, utilizada principalmente para transferências internacionais, holding de dólares digitais e conversão entre moeda fiduciária e stablecoins.
Q2: Por que a Stellar foi escolhida para a MGUSD?
A: A Stellar proporciona transações rápidas e taxas on-chain baixas, ideal para pagamentos internacionais e liquidação de stablecoins, aumentando a eficiência do fluxo de capital.
Q3: A MGUSD elimina totalmente as taxas de pagamentos internacionais?
A: Não. A MGUSD reduz custos de liquidação on-chain, mas os usuários ainda podem pagar tarifas para depósitos e saques em moeda fiduciária, conversão de moedas ou canais de pagamento locais.





