A sua dívida de cartão de crédito pode ser vendida—Veja por que os bancos fazem isso e o que você deve saber

Quando estás a lutar contra dívidas de cartão de crédito, poderás assumir que o teu problema fica entre ti e o teu emissor de cartão. Mas a realidade é mais complicada. Os bancos nem sempre mantêm a dívida que criam. Em vez disso, vendem-na a outros credores — às vezes por uma quantia ínfima em relação ao valor original. Por exemplo, em 2017, a Barclaycard transferiu 1,6 mil milhões de dólares em saldos de cartões de crédito para a Credit Shop Inc., uma empresa de empréstimos pessoais. Este tipo de transação acontece regularmente, e é importante compreender o que isso significa para ti.

Compreender por que os bancos estão dispostos a vender a tua dívida

Então, por que motivo os bancos vendem dívidas? A resposta está na forma como as instituições financeiras pensam sobre risco e lucro. Quando um banco emite um cartão de crédito, não espera apenas que tu pagues — conta com isso para gerar uma receita constante. A American Express, por exemplo, ganhou 1,4 mil milhões de dólares em juros num único trimestre de 2016. É este tipo de dinheiro que as empresas de cartões de crédito adoram.

Mas aqui está o truque: nem todos os mutuários são igualmente lucrativos. Algumas pessoas têm um excelente historial de crédito e pagam de forma fiável. Outras têm históricos financeiros mais instáveis e representam um risco maior de incumprimento. As empresas de cartões de crédito cobram taxas de juro diferentes dependendo de quão provável é que tu pagues — quanto maior o risco, mais elevada a tua taxa. É aqui que a estratégia fica interessante.

Os bancos têm que decidir: querem manter estas contas de maior risco e esperar que os juros cubram as perdas? Ou vendem o problema a outra entidade? Muitos bancos optam pela segunda opção. Transferem estas contas “subprime” ou “near-prime” — aquelas pertencentes a mutuários com crédito menos sólido — para credores especializados que estão mais dispostos a arriscar em carteiras de risco.

Quando mutuários de maior risco se tornam uma oportunidade de lucro

Aqui está algo contraintuitivo: enquanto os bancos tradicionais podem ver os mutuários mais arriscados como passivos, outras empresas de crédito veem-nos como oportunidades. Estes credores especializados compram lotes de dívidas de cartões de crédito especificamente de contas que os bancos maiores decidiram que são demasiado arriscadas para manter.

Por que alguém compraria dívidas arriscadas? Porque o potencial de retorno pode ser elevado. Se és um mutuário subprime, já estás a pagar uma taxa de juro muito mais alta para compensar o risco percebido. Um credor que adquira a tua conta pode tentar obter mais receita pressionando-te a regularizar os pagamentos, ou oferecer-te um cartão de transferência de saldo que consolide as tuas dívidas e reduza temporariamente a tua taxa. De qualquer modo, eles veem potencial de lucro onde os bancos tradicionais veem perigo.

A ironia é que os bancos vendem simultaneamente os seus clientes mais arriscados a outros credores, enquanto tentam recrutar novos clientes premium com cartões de crédito de alto retorno. É uma estratégia de segmentação: clientes premium recebem ofertas de cashback e recompensas de viagem, enquanto clientes de maior risco são agrupados e revendidos a especialistas.

O que acontece depois de a tua dívida mudar de mãos

Em muitos casos, nem sequer te apercebes de que a tua dívida foi vendida até receberes uma chamada de um novo credor ou de um cobrador de dívidas que representa o novo proprietário. E aqui está um detalhe importante: uma vez que um credor compra a tua dívida, pode vendê-la novamente a outra empresa. A tua conta pode mudar de mãos várias vezes antes de alguém finalmente cobrar.

Quando ouves pela primeira vez de alguém que afirma que te deve dinheiro, é normal ficares confuso ou desconfiado. Isso é na verdade saudável. A lei protege-te nesta situação.

Como te protegeres de táticas agressivas de cobrança

A Lei de Práticas Justas de Cobrança de Dívidas, que está em vigor desde 1997, estabelece regras claras sobre como os cobradores podem contactar-te. Não podem ligar excessivamente, não podem ameaçar violência, e absolutamente não podem fazer-se passar por agências de crédito ou advogados. Se um cobrador te ligar, tens direitos.

Mais importante ainda, podes exigir prova escrita de que a dívida existe realmente e de que o valor que alegam que deves é preciso. Fazeste esse pedido por escrito dentro de 30 dias após o primeiro contacto, e todas as chamadas de cobrança devem parar enquanto investigam. Também podes solicitar que toda a comunicação futura seja apenas por escrito — sem chamadas no trabalho ou em casa. Se os cobradores violarem estas regras, podes processá-los. A Comissão Federal de Comércio fornece informações detalhadas sobre os teus direitos no seu site.

Por que os bancos continuam a tentar vender-te novos produtos de crédito

Compreender todo este ciclo revela algo importante: os bancos têm fortes incentivos financeiros para continuar a vender cartões de crédito e empréstimos pessoais, independentemente de já teres saldos em contas existentes. As estruturas de comissão e os modelos de lucro recompensam o volume.

Por isso recebes constantemente ofertas de novos produtos de crédito, mesmo quando estás endividado. Os bancos ganham com taxas, juros e ofertas de transferência de saldo. Não estão a tentar ajudar-te a consolidar dívidas — estão a tentar gerar mais fontes de receita a partir das tuas dificuldades financeiras.

Como evitar seres uma vítima deste sistema

A boa notícia é que tens mais controlo do que pensas. Geralmente, podes impedir que a tua conta seja vendida a agências de cobrança agressivas, mantendo os pagamentos em dia e evitando que os saldos se tornem incontroláveis.

Ao abrigo do CARD Act de 2010, os emissores de cartões devem dar-te pelo menos 21 dias a partir da data do extrato para fazer um pagamento. Esforça-te por pagar o máximo possível dentro desse período — idealmente o saldo completo, se quiseres evitar juros. Os bancos também são obrigados a dar-te 45 dias de aviso antes de aumentarem a tua taxa de juro. Quando receberes esse aviso, leva-o a sério: paga a conta se possível ou transfere o saldo para um cartão com taxa mais baixa imediatamente.

Ao compreenderes por que os bancos compram e vendem dívidas, e por que estão constantemente a tentar vender-te novos cartões e empréstimos, podes tomar decisões mais inteligentes sobre o teu crédito. Mantém-te informado, paga a tempo e não deixes que a tua dívida se torne uma oportunidade de lucro para alguém mais.

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