Acabei de perceber algo surpreendente sobre como funciona realmente a riqueza dos bilionários. Todos falam sobre Jeff Bezos ter um património avaliado em $235 mil milhões, mas a questão é — grande parte disso não é dinheiro que ele possa gastar hoje. É um exemplo perfeito de como os números de valor líquido podem ser enganosos.



Vamos analisar o que Bezos realmente tem acesso. Ele possui cerca de 9% da Amazon, avaliada em aproximadamente $212 mil milhões do seu património total. Isso significa que mais de 90% do seu valor líquido está investido em ações da Amazon. No papel, isso parece altamente líquido, já que a Amazon é uma empresa cotada publicamente. Pode vender ações instantaneamente, certo?

Bem, nem por isso quando se trata de Bezos. Aqui é que a coisa fica interessante. Se ele tentasse vender até uma fração das suas ações da Amazon, o mercado entraria em pânico. Estamos a falar do fundador da empresa a vender bilhões em ações — os investidores de retalho veriam isso como um sinal de alerta enorme. Isso desencadearia uma venda em massa, uma queda no preço das ações e, ironicamente, destruiria a própria riqueza que ele tenta aceder. Portanto, embora tecnicamente as ações da Amazon sejam ativos líquidos, na prática, não o são.

Para além da Amazon, Bezos tem outros ativos que são completamente ilíquidos. Ele é proprietário do Washington Post e da Blue Origin — ambas empresas privadas com avaliações desconhecidas. Também possui entre 500 a 700 milhões de dólares em imóveis em várias propriedades. Os imóveis levam meses a vender e muitas vezes envolvem perdas significativas se precisar de dinheiro rapidamente.

Então, qual é a sua situação real de dinheiro disponível? Essa é a verdadeira questão. Os ultra-ricos normalmente mantêm apenas cerca de 15% do seu portefólio em dinheiro ou equivalentes, segundo dados do Bank of America. Para alguém avaliado em $235 mil milhões, mesmo 15% seria substancial, mas está longe do número divulgado na cabeça de cartaz.

A lição aqui é que o património líquido dos bilionários é maioritariamente uma riqueza teórica, presa em empresas e ativos. Bezos provavelmente poderia aceder a dezenas de bilhões se vendesse de forma estratégica ao longo do tempo, sem desestabilizar os mercados, mas a ideia de que ele pode liquidar $235 mil milhões amanhã? Isso é ficção financeira. É um bom lembrete de que, mesmo para os ultra-ricos, ter riqueza e poder gastá-la de fato são duas coisas muito diferentes.
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