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Recentemente, um amigo perguntou-me sobre os dois conceitos mais confusos nas negociações de opções — buy to open vs sell to open. Acho que é importante discutir bem essa questão.
Primeiro, a diferença mais óbvia. Sell to open é quando você vende uma opção para abrir uma posição; seu saldo é creditado imediatamente com o valor (prêmio da opção). Nesse momento, você está na posição de vendedor (short), apostando que a opção vai desvalorizar. Por outro lado, buy to open é quando você compra uma opção para abrir uma posição; você está na posição de comprador (long), esperando que a opção valorize. Essas duas estratégias têm direções de lucro completamente opostas.
Já vi muitos iniciantes se confundirem no começo. Uma explicação simples é: sell to open = vender para ganhar dinheiro → buy to close = comprar para fechar a posição; buy to open = comprar para manter → sell to close = vender para fechar. A primeira é receber dinheiro primeiro, a segunda é gastar dinheiro primeiro.
Vamos aprofundar um pouco mais. Quando você faz sell to open, por exemplo, vende uma opção avaliada em 1 dólar, você recebe imediatamente 100 dólares (pois uma opção geralmente cobre 100 ações). Mas isso não é lucro líquido, pois você está vendendo a opção a descoberto e precisa assumir o risco de ela valorizar. Se o preço da opção subir para 3 dólares, você terá que comprá-la de volta para fechar a posição (com prejuízo de 200 dólares), ou ela pode ser exercida.
Por outro lado, buy to open é a abordagem tradicional de compra de posições longas. Você paga pelo prêmio da opção e espera que ela valorize. Se o preço da ação se mover na direção favorável, o valor temporal e o valor intrínseco da opção aumentam, permitindo que você lucre. Mas a desvantagem é que a depreciação do tempo (time decay) vai devorando seus ganhos, especialmente próximo ao vencimento.
Aqui entra um conceito importante — o valor temporal. Quanto mais longe do vencimento, maior o valor temporal; quanto mais próximo, mais rápido ele decai. Isso afeta de formas opostas as duas estratégias. Quem faz sell to open na verdade está lucrando com a depreciação do valor temporal, esperando que a opção perca valor até se tornar inútil. Quem faz buy to open está competindo contra o relógio, precisando que a ação se mova rapidamente na direção desejada.
Na prática, sell to open é frequentemente usado em estratégias como covered call (quando você já possui 100 ações de uma empresa). Por exemplo, você comprou 100 ações da AT&T e vende uma call dessa ação, recebendo o prêmio. Se a ação não subir, a opção expira sem valor e você fica com o prêmio. Se a ação subir bastante e for exercida, você vende as ações pelo preço de exercício, perdendo potencial de valorização, mas já recebeu o prêmio. É uma estratégia de renda relativamente segura.
Por outro lado, fazer naked short (vender opções sem possuir as ações correspondentes) é muito mais arriscado. Se a opção for exercida, você precisará comprar as ações no mercado a um preço mais alto e vendê-las pelo preço de exercício, podendo ter perdas ilimitadas. É por isso que corretoras impõem restrições severas a operações naked short.
A escolha entre buy to open e sell to open depende, em última análise, da sua previsão de mercado e da sua tolerância ao risco. Acredita que uma ação vai subir? Use buy to open para comprar opções de compra, alavancando ganhos com pouco capital. Acredita que ela vai cair ou ficar estável? Use sell to open para coletar o prêmio, lucrando com a depreciação do valor temporal. Mas lembre-se: opções são instrumentos de risco muito maior que ações, pois a alavancagem aumenta tanto os ganhos quanto as perdas. Para iniciantes, o ideal é praticar em contas de simulação, entender bem como fatores como a depreciação do tempo e a volatilidade implícita afetam o preço das opções, antes de operar com dinheiro real.