Recentemente tenho acompanhado a situação no Oriente Médio e percebi que a lógica por trás do conflito entre EUA e Irã é muito mais complexa do que aparenta.



À primeira vista, parece ser uma questão de armas nucleares, mas as verdadeiras razões do conflito entre EUA e Irã exigem uma análise mais profunda. O acordo JCPOA de 2015 originalmente congelou o programa nuclear do Irã, mas Trump saiu dele em 2018, e toda a corrida pelo urânio enriquecido foi reativada. Agora, o estoque de urânio enriquecido do Irã ultrapassou 400 quilos, com uma concentração de 60%, chegando perto do nível de armas.

Mas isso não surgiu do nada. Para entender as razões do conflito EUA-Irã, é preciso voltar a 1953 — quando a CIA planejou um golpe para derrubar o primeiro-ministro Mossadegh, com o objetivo claro de controlar os recursos petrolíferos. Depois, em 1979, a Revolução Islâmica derrubou o xá pró-americano, e o Irã passou de aliado dos EUA a inimigo mortal de uma noite para a outra. Desde então, há décadas, ocorre uma “guerra de sombras”, por meio de proxy como Hezbollah, Hamas, Síria e outros, para expandir a influência regional.

Na verdade, o núcleo do conflito é energia. O Irã possui 208 bilhões de barris de petróleo e 1.200 trilhões de pés cúbicos de gás natural, controlando o Estreito de Ormuz, que transporta 20% do petróleo mundial, cerca de 20 milhões de barris por dia. Se o Irã tiver armas nucleares, poderá aumentar significativamente seu controle sobre o fluxo de energia, elevando a inflação global, os custos de transporte e causando volatilidade extrema nos mercados.

Recentemente, após a escalada do conflito em Gaza, a resistência indireta virou confronto direto. O Irã atacou bases americanas no Qatar, Kuwait, Emirados Árabes, Bahrein e Jordânia em resposta. Arábia Saudita e países do Golfo começaram a se posicionar, dizendo que farão de tudo para defender sua soberania. Isso pode arrastar toda a região árabe para uma guerra regional, mudando completamente o equilíbrio de alianças no Golfo.

Resumindo, as razões do conflito EUA-Irã não se resumem apenas às armas nucleares, mas à crise na cadeia global de suprimentos de energia. Se a situação sair do controle, a volatilidade do mercado de petróleo, o aumento dos preços de energia e o impacto na economia global serão enormes.
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