"Linhas Mágicas"


Um garotinho encontrou por acaso uma bola mágica com uma linha dourada. Bastava puxar a linha dourada para o tempo avançar. Diante de qualquer momento desagradável ou que não quisesse enfrentar, ele podia simplesmente pular.
No início, o menino usava a mágica apenas para matar aula, evitar tarefas domésticas e as repreensões dos pais. Ele puxava a linha dourada silenciosamente, pulando direto para os momentos felizes após a escola.
Quando adulto, ele pulou as brigas e lutas comuns do casamento, pulou o cansaço e o atrito de acalmar um bebê à meia-noite, pulou o tédio e os impasses dos dias úteis. Percebeu que puxava a linha dourada cada vez mais, e começou a usá-la até para evitar os menores desconfortos do dia a dia.
Até que um dia, ao acordar de um sono profundo, viu diante do espelho um velho decrépito olhando para ele. Um imenso arrependimento o consumiu num instante. Naquele momento, ele percebeu: cada vez que escolhia pular o tédio, a luta, a dor e o atrito, também perdia completamente a sensação de estar realmente vivo.
Essa história se chama "Pedro e a Linha Mágica". Dizem que é um conto popular francês, mais tarde incluído no "Livro das Virtudes", organizado pelo ex-secretário de Educação dos EUA, William Bennett.
Na versão original do conto, Pedro, transformado num velho solitário de cabelos brancos, volta à floresta cheio de arrependimento para encontrar a velha senhora que lhe deu a bola mágica. Chora, dizendo que "nunca sofreu, mas também nunca viveu de verdade", e pede uma segunda chance.
Em seguida, ele acorda de repente, descobrindo que tudo não passava de um grande sonho enquanto dormia na grama da floresta. Ao ouvir a voz da mãe chamando-o para ir à escola, o jovem Pedro fica radiante de alegria. A partir de então, nunca mais reclama dos problemas do presente e aprende a abraçar cada momento da vida.
Não é um pouco parecido com aquela balada "Grande Sonho"? Aos 6, 12, 18, 24 anos... contando até a velhice, uma série de "o que fazer" quase insolúveis em cada idade: na infância, perder o brinquedo; na adolescência, a baixa autoestima; na meia-idade, o peso da pressão; na velhice, as dores... Sem solução, sem saída, como um grande sonho, e, após o sonho, não se acorda como no conto de fadas.
Ao entrelaçar conto de fadas e balada, revela-se um certo dilema do homem moderno: parece que nascemos para resolver problemas, para suportar sofrimentos, e isso não tem fim.
Assim também, o menino do conto, por medo do tempo, com medo de suportar longos períodos cheios de atrito e até dor, puxava a linha dourada sem parar. Nós não fazemos o mesmo? Diante de anos difíceis, sempre surge um desejo ilusório: queremos acelerar, queremos chegar direto àquele destino feliz e seguro.
Mas, mesmo supondo que "pular o momento desagradável" resolvesse também o problema desagradável em si, é bem provável que nossa vida não se tornasse melhor. Porque não queremos uma fuga medíocre, mas uma verdadeira "existência".
Então, por que temer o próximo segundo? Todos os obstáculos da vida, para o tempo, são apenas leves arranhões.
O próprio tempo é a bola mágica, puxando-nos para voar por esta vida com fios de ouro. Seja temendo ou enfrentando com coragem, são apenas aqueles segundos inalteráveis e avassaladores que passam tiquetaqueando.
Esta vida, que passa como um cavalo branco a galope por uma fresta, já é rápida como um relâmpago. Se é assim, por que ainda queremos acelerar?
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