Hideo Kojima adverte que a digitalização total é "assustadora"! O fim da produção de discos PS em 2028 é só o começo. Você realmente já possuiu um jogo?

A Sony Interactive Entertainment (SIE) anunciou que encerrará a produção de discos físicos do PlayStation a partir de janeiro de 2028, chocando jogadores do mundo todo. O lendário produtor de jogos Hideo Kojima, durante um painel no Festival de Cinema de Roma, afirmou que o futuro totalmente digital é assustador — os consumidores correm o risco de perder a "verdadeira propriedade" sobre jogos, filmes e música.

(Contexto: Nintendo Switch 2 é oficialmente apresentado; nova geração pode integrar jogos metaverso, NFT e cold wallets?) (Complemento: Valve, dona da Steam, lança console e headset VR com lançamento em 2026 mirando Sony, Nintendo e Microsoft)

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  • Sony decide: fim da era dos discos em 2028
  • "O direito de abrir a torneira": a filosofia de propriedade de Hideo Kojima
  • Profecia de 2021: Hideo Kojima já havia alertado
  • Não é só um problema de games: a ansiedade coletiva pela propriedade digital

"Porque a produção (de discos) será encerrada em 2028... Eu cresci com mídias físicas, por isso estou muito triste" — disse Hideo Kojima, considerado uma lenda dos games, no palco do festival "Il Cinema in Piazza", em Roma, Itália. Ele não falava sobre seu novo jogo em desenvolvimento, Death Stranding 2, ou sobre o jogo de terror OD em parceria com a Microsoft, mas sim sobre a notícia bombástica que a Sony Interactive Entertainment deu recentemente, chocando jogadores do mundo todo: os discos físicos de jogos para PlayStation deixarão de ser produzidos oficialmente a partir de janeiro de 2028.

Sony decide: fim da era dos discos em 2028

A Sony Interactive Entertainment (SIE), em sua recente decisão interna, indicou que, com a mudança contínua de preferências dos consumidores e da indústria do entretenimento de mídias físicas para conteúdo digital, a produção de discos físicos de novos jogos para a plataforma PlayStation será totalmente encerrada a partir de janeiro de 2028. A partir de então, novos jogos serão disponibilizados apenas digitalmente (via códigos de download) pela PlayStation Store e canais de varejo; os títulos já lançados ou programados para lançamento em disco antes de janeiro de 2028 não serão afetados.

A notícia causou comoção na comunidade gamer. Embora os downloads digitais já sejam a norma e plataformas de PC como Steam e Epic Games Store sejam quase totalmente digitais, o anúncio oficial da PlayStation — uma das maiores marcas de consoles do mundo — de encerrar a produção de discos tem um forte significado simbólico: representa que a experiência de "colocar o disco para jogar", que atravessou mais de três décadas, está caminhando para o fim.

"O direito de abrir a torneira": a filosofia de propriedade de Hideo Kojima

Hideo Kojima elaborou ainda mais suas preocupações profundas sobre o futuro totalmente digital durante o painel. Ele destacou que, mesmo que os jogos atuais sejam baixados, os dados ainda ficam armazenados no disco rígido do jogador; mas se o futuro avançar para o "puro streaming" (streaming-only), nem isso existirá mais.

Ele usou plataformas de streaming como Netflix e Amazon Prime como exemplo: "O que o usuário tem, na verdade, é apenas o 'direito de abrir a torneira'." Quando você abre a torneira, os dados do servidor são enviados para você; assim que a assinatura é cancelada, a torneira para de jorrar água. Em outras palavras, o consumidor nunca realmente "possui" aqueles filmes, músicas ou jogos — eles apenas obtêm uma licença para assistir ou jogar durante o período de pagamento.

Kojima alertou que os servidores estão nas mãos das empresas, mas no mundo existem países, política e diversas mudanças ideológicas. Se o ambiente relevante mudar, é perfeitamente possível que os dados parem de ser fornecidos. Se isso fizer com que filmes ou jogos de que você gosta não possam mais ser vistos ou jogados, esse futuro "é assustador". Ele também observou que o que vai acontecer com os jogos em 2028 pode se repetir no futuro nas indústrias cinematográfica e musical.

Profecia de 2021: Hideo Kojima já havia alertado

Esta não é a primeira vez que Kojima soa o alarme sobre a onda de digitalização. Já em 2021, ele havia apontado publicamente no X (antigo Twitter) que, se a indústria do entretenimento fosse completamente monopolizada pelo streaming digital, os indivíduos poderiam enfrentar a qualquer momento o risco de "ter o direito de acesso aos dados removido". Na época, ele escreveu: "No futuro, poderemos não conseguir mais acessar livremente os filmes, livros e músicas que amávamos."

Essa declaração de quatro anos atrás está sendo amplamente compartilhada nas redes sociais, e muitos fãs o chamam de "viajante do tempo", acreditando que ele já havia previsto a situação atual. O próprio Kojima revelou recentemente que está comprando em grande quantidade Blu-rays de filmes e CDs de música, tentando manter em suas mãos as obras que valoriza antes que as mídias físicas desapareçam completamente.

Não é só um problema de games: a ansiedade coletiva pela propriedade digital

A preocupação de Kojima reflete uma questão central que os consumidores da era digital há muito ignoram: quando tudo é "assinatura" em vez de "propriedade", os bens culturais individuais realmente pertencem a você?

Nas comunidades de criptomoedas e blockchain, essa questão não é nova — "Not your keys, not your coins" e "Not your disc, not your game" são, em essência, a mesma ansiedade. Quando a PlayStation Store encerrar a linha de produção de discos em 2028, algum dia a Sony pode desligar os servidores de uma geração antiga de consoles; naquele momento, essa "propriedade" que existe apenas na nuvem desaparecerá junto com as decisões comerciais da empresa?

As palavras de Kojima no final do painel talvez sejam o melhor resumo: "O que me entristece não é o fato de os discos desaparecerem, mas sim que estamos perdendo o direito de escolher 'possuir'." Em um mundo onde tudo pode ser transmitido, o próprio conceito de "possuir" pode ser a coisa mais luxuosa.

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