Um conhecido economista, Nouriel Roubini, conhecido como “Doutor do Apocalipse”, alertou recentemente que, para alcançar a vitória, é muito provável que o Presidente dos EUA, Donald Trump, opte por intensificar a guerra contra o Irão em vez de recuar. Ele afirma que, se o conflito entre os EUA e o Irão se agravar ainda mais, poderá levar à repetição da crise petrolífera dos anos 1970 e forçar a Reserva Federal dos EUA (Fed) e o Banco Central Europeu (ECB), que enfrentam pressões inflacionistas, a recomeçar os aumentos das taxas de juro.
(Pormenores anteriores: Reuters: informações das autoridades confirmam “apenas destruiu um terço dos mísseis do Irão”; ainda há uma ameaça com um vasto arsenal?)
(Apêndice de contexto: WSJ: a probabilidade de um cessar-fogo entre os EUA e o Irão a funcionar continua baixa; o plano de 15 pontos foi recusado; o Irão recusou permitir armas nucleares e mísseis)
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Os combates no Médio Oriente continuam a intensificar-se, e a economia global enfrenta agora um difícil teste de inflação e de crescimento. O economista conhecido Nouriel Roubini, que previu com precisão a crise financeira global de 2008 e ficou conhecido como “Doutor do Apocalipse”, apresentou recentemente novos alertas sobre o futuro do conflito entre EUA e Irão e o impacto económico, durante um seminário para líderes económicos e empresariais realizado no Lago Como, em Itália.
Numa entrevista, Roubini indicou de forma clara que, para alcançar a vitória, o Presidente dos EUA, Donald Trump, tem mais probabilidades de optar por intensificar esta guerra contra o Irão, embora isso traga consequências mais graves para a economia mundial e para a ordem internacional. Roubini afirmou:
“A minha previsão de base é que a probabilidade de a situação escalar é superior a 50%.”
Apesar disso, Roubini apresentou também uma perspetiva relativamente optimista sobre esta guerra. Ele analisou que, se os EUA e Israel decidirem intensificar o conflito, isso poderá conduzir à queda do regime iraniano; o que significa que, mesmo que o preço do petróleo dispare no curto prazo, a longo/médio prazo se pode obter um resultado melhor. Por isso, ele entende que tanto Trump como o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, têm fortes incentivos para intensificar o conflito e procurar uma vitória abrangente.
De facto, no momento em que Roubini fez as declarações acima, o Irão e Israel continuavam na sexta-feira a intercetar e lançar mísseis um contra o outro; as autoridades em Teerão chegaram mesmo a alargar os alvos do ataque a vários países do Golfo Pérsico. E, nas horas que se seguiram antes, Trump tinha acabado de prolongar o prazo final exigido ao Irão que voltasse a permitir a reabertura do Estreito de Ormuz (Strait of Hormuz) e ameaçou, caso contrário, atacar as suas instalações de eletricidade.
Do ponto de vista económico, Roubini alertou que a continuação da guerra irá inevitavelmente causar danos à economia global. Ele apontou especialmente um “risco na cauda (Tail risk)”: se os dois países, EUA e Israel, intensificarem a ofensiva e levarem o Irão a aumentar o nível de ataques às infraestruturas petrolíferas da região, o mundo poderá ficar à beira de uma situação semelhante à da crise petrolífera dos anos 1970.
Neste momento, as ações militares dos EUA contra o Irão já levaram vários países a rever em baixa as perspetivas de produção e a prepararem-se para uma retoma da inflação impulsionada pela energia. Roubini afirmou sem rodeios: “Mesmo que a guerra termine amanhã, o preço do petróleo não poderá voltar aos níveis anteriores à guerra.” No entanto, acrescentou que, se o preço do petróleo apenas subir entre 10% e 15%, para a economia global “ainda não é um desastre”.
À medida que os custos do petróleo e do gás natural sobem e os indicadores de sentimento do mercado despencam, países europeus como a Alemanha e a Itália estão a reavaliar o crescimento económico, e o Banco Central Europeu (ECB) divulgou na semana passada também uma perspetiva económica regional mais pessimista.
Quando lhe perguntaram sobre o impacto na política monetária, Roubini previu que o ECB poderá ser obrigado a iniciar aumentos das taxas de juro em “abril, ou até junho”; o Banco de Inglaterra (BOE) também poderá seguir o exemplo. O mais relevante, no entanto, é a tendência da política monetária dos EUA. Roubini disse que a Reserva Federal dos EUA (Fed) também pode cair num dilema. Para evitar o risco de uma “desancoragem das expectativas de inflação”, os decisores poderão ser forçados a reativar um ciclo de aumentos das taxas de juro.
Roubini recordou que, em 2022, a Fed quase perdeu credibilidade por ter aumentado as taxas demasiado devagar. Ele mencionou em particular o facto de Kevin Warsh (Kevin Warsh), que deverá suceder a Jerome Powell (Jerome Powell) como presidente da Fed em maio deste ano, não permitir absolutamente que, no início do seu mandato, destrua a própria credibilidade. Assim, perante a pressão inflacionista causada pelos combates, o novo presidente, além de aumentar as taxas de juro, provavelmente não terá outras opções.