A Malásia vai apertar as regras para os veículos eléctricos importados totalmente a partir de Julho, exigindo um valor mínimo de seguro e de frete de 200.000 ringgit (51.000 USD), de acordo com o The Japan Times. As novas regulamentações vão também impor que os EV importados tenham pelo menos 180 quilowatts de potência, na sequência do fim dos incentivos fiscais em Dezembro. O ministério do investimento, do comércio e da indústria afirmou que os carros já importados pelos distribuidores estão isentos dos novos requisitos.
O site automóvel Paultan estimou que os novos limiares poderão elevar os preços de retalho das importações elegíveis para pelo menos 300.000 ringgit (76.000 USD). Este impacto ao nível dos preços iria estreitar significativamente o mercado para alguns dos principais fabricantes de EV: a BYD, da China, só conseguiria vender dois dos seus sete modelos actuais na Malásia, enquanto a Tesla, que também importa totalmente os carros, vende actualmente modelos abaixo do limiar de 300.000 ringgit.
As regulamentações poupam sobretudo os fabricantes nacionais Proton, que é parcialmente detida pela Geely, e Perodua, cujos veículos eléctricos competem na faixa de preços mais baixa, perto de 100.000 ringgit (25.000 USD). A Malásia está a prosseguir esta abordagem como parte do esforço para criar capacidade local de produção de EV.
Negociações separadas sobre a prevista fábrica de montagem da BYD, no valor de 1,3 mil milhões de ringgit (320 milhões USD), em Tanjung Malim, Perak, entraram em impasse. Os termos em discussão incluíam a exigência de que pelo menos 80% dos veículos produzidos na instalação fossem exportados. Um outro limite proposto teria imposto condições sobre os 20% dos veículos vendidos na Malásia, incluindo um preço mínimo divulgado acima de 200.000 ringgit (51.000 USD) por carro.
Estes termos alinham-se com o esforço mais amplo da Malásia para proteger marcas nacionais como Proton e Perodua, bem como a cadeia de abastecimento e a rede de concessionários que empregam mais de 700.000 pessoas.
Patamares mais elevados para EV importados, juntamente com regras mais apertadas para as unidades locais de montagem, podem levar os fabricantes estrangeiros a escolher entre fábricas orientadas para exportação ou modelos mais caros para o mercado malaio. Esta abordagem regulatória pode orientar o investimento em EV para a Tailândia ou a Indonésia, onde as regras atraíram mais fabricantes. As marcas automóveis tendem a priorizar mercados que permitam escalar a produção, e limites restritivos podem redireccionar planos de investimento para outros locais.
Para os consumidores malaios, o resultado pode ser a existência de menos opções de EV de baixo custo e preços mais elevados, agravando as preocupações entre grupos de proprietários que defendem que apoiaram a indústria automóvel nacional protegida durante 40 anos.