Um spread de crédito é simplesmente a diferença entre o que paga um empréstimo seguro versus um arriscado. Em obrigações, isso significa comparar um instrumento do Tesouro com um corporativo. Em opções, refere-se a uma estratégia onde compra e vende simultaneamente para obter um lucro limitado, mas controlado.
Por que importa? Porque esses spreads funcionam como termômetro econômico. Quando se alargam, o mercado está nervoso. Quando se estreitam, reina a confiança.
Como Lê-los no Mercado de Obrigações
Imagina dois bônus que vencem em 10 anos. Um do governo te paga 3%, o outro de uma empresa corporativa te oferece 5%. Essa diferença de 2 pontos percentuais ( ou 200 pontos básicos ) é o teu spread de crédito. Quanto mais amplo, mais risco assume o investidor, e por isso exige maior retorno.
O que Move Estes Números
Quatro fatores principais controlam como se comportam os spreads:
Classificações de solvência: empresas com classificação baixa = spreads amplos. É lógico, os investidores exigem mais compensação pelo risco.
Movimento de taxas: quando as taxas sobem, os títulos de risco sofrem mais pressão para cima nos seus spreads.
Confiança no mercado: se houver medo sistémico, mesmo nomes sólidos vêem os seus spreads a expandirem-se.
Facilidade para negociar: bônus ilíquidos geram fricção, por isso pagam spreads mais amplos para atrair compradores.
Dois Cenários Reais
Um título corporativo de primeira linha paga 3,8%, o Tesouro 3,5%. Spread: 30 pontos base. Sinal: confiança total na empresa.
Em comparação com um título de menor classificação que paga 9%, enquanto o Tesouro continua a 3,5%. Spread: 550 pontos base. Mensagem clara: alto risco, demanda por maior rendimento.
O Que o Spread Te Diz Sobre a Economia
Durante a estabilidade económica, os spreads permanecem comprimidos. Os investidores veem as empresas como solventes, confiam que pagarão as suas dívidas, por isso não precisam de muita compensação adicional.
Mas em crise ou recessão, o cenário muda radicalmente. Os capitais fogem para refúgios seguros (Tesouro), reduzindo seus rendimentos. Simultaneamente, os investidores exigem taxas mais altas para dívidas corporativas arriscadas. O resultado: spreads que disparam. Isso muitas vezes precede mercados em baixa confirmados.
Spread de Crédito vs. Spread de Rendimento
Não são a mesma coisa. O primeiro reflete diferenças por risco de crédito. O segundo é um termo mais amplo que inclui qualquer diferença de desempenho: por vencimento, por tipo de ativo, por qualquer razão.
No Mundo das Opções
Aqui o “spread de crédito” muda de significado. É uma estratégia: vendes um contrato de opção e compras outro, ambos com a mesma data de expiração mas preços de exercício diferentes. Recebes mais prémio pelo que vendas do que gastas no que compras.
Duas Estratégias Populares
Put altista: usa-a quando esperas que o preço suba ou se mantenha. Vendes uma put com strike alto, compras uma put com strike baixo. Ganhos limitados, mas também perdas limitadas.
Call baixista: aplica-se se acreditas que o preço vai cair ou atingir o teto. Vendes uma call com strike baixo, compras uma call com strike alto. O crédito líquido é o teu ganho máximo.
Estudo de Caso: Estratégia de Call Baixista
Suponha que o ativo XY esteja cotado em torno de $55 e você prevê que não ultrapassará os $60. O seu movimento:
Vendes call de $55 strike a $4 (ingresas 400$, porque 1 contrato = 100 ações)
Compras call de $60 strike a $1.50 (gastas $150)
Crédito líquido: $2.50 por ação, ou $250 total
Três cenários possíveis ao vencimento:
Se XY se mantiver em $55 ou cai, ambas as opções expiram sem valor. Conservas íntegros os $250 iniciais.
Se XY terminar entre $55-$60, a call de $55 é exercida, mas a de $60 não. Perdes parte do crédito conforme onde fecha exatamente.
Se XY disparar acima de $60, ambas são exercidas. Vendes a $55, recompras a $60, perdendo $500. Mas já tinhas recebido $250, então a tua perda líquida máxima é $250.
Esta é a essência de um spread de crédito em opções: risco limitado desde o início.
A Conclusão Final
Os spreads de crédito operam em dois universos: obrigações e derivados. Nas obrigações, funcionam como uma bússola económica, mostrando quão nervosos estão os investidores. Em opções, são táticas de risco limitado para traders com perspetivas diretas. Em ambos os casos, compreendê-los permite-te ler melhor o mercado e tomar decisões mais informadas.
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Spread de Crédito: A Ferramenta que Revela o Pulso do Mercado
O que precisas de saber
Um spread de crédito é simplesmente a diferença entre o que paga um empréstimo seguro versus um arriscado. Em obrigações, isso significa comparar um instrumento do Tesouro com um corporativo. Em opções, refere-se a uma estratégia onde compra e vende simultaneamente para obter um lucro limitado, mas controlado.
Por que importa? Porque esses spreads funcionam como termômetro econômico. Quando se alargam, o mercado está nervoso. Quando se estreitam, reina a confiança.
Como Lê-los no Mercado de Obrigações
Imagina dois bônus que vencem em 10 anos. Um do governo te paga 3%, o outro de uma empresa corporativa te oferece 5%. Essa diferença de 2 pontos percentuais ( ou 200 pontos básicos ) é o teu spread de crédito. Quanto mais amplo, mais risco assume o investidor, e por isso exige maior retorno.
O que Move Estes Números
Quatro fatores principais controlam como se comportam os spreads:
Dois Cenários Reais
Um título corporativo de primeira linha paga 3,8%, o Tesouro 3,5%. Spread: 30 pontos base. Sinal: confiança total na empresa.
Em comparação com um título de menor classificação que paga 9%, enquanto o Tesouro continua a 3,5%. Spread: 550 pontos base. Mensagem clara: alto risco, demanda por maior rendimento.
O Que o Spread Te Diz Sobre a Economia
Durante a estabilidade económica, os spreads permanecem comprimidos. Os investidores veem as empresas como solventes, confiam que pagarão as suas dívidas, por isso não precisam de muita compensação adicional.
Mas em crise ou recessão, o cenário muda radicalmente. Os capitais fogem para refúgios seguros (Tesouro), reduzindo seus rendimentos. Simultaneamente, os investidores exigem taxas mais altas para dívidas corporativas arriscadas. O resultado: spreads que disparam. Isso muitas vezes precede mercados em baixa confirmados.
Spread de Crédito vs. Spread de Rendimento
Não são a mesma coisa. O primeiro reflete diferenças por risco de crédito. O segundo é um termo mais amplo que inclui qualquer diferença de desempenho: por vencimento, por tipo de ativo, por qualquer razão.
No Mundo das Opções
Aqui o “spread de crédito” muda de significado. É uma estratégia: vendes um contrato de opção e compras outro, ambos com a mesma data de expiração mas preços de exercício diferentes. Recebes mais prémio pelo que vendas do que gastas no que compras.
Duas Estratégias Populares
Put altista: usa-a quando esperas que o preço suba ou se mantenha. Vendes uma put com strike alto, compras uma put com strike baixo. Ganhos limitados, mas também perdas limitadas.
Call baixista: aplica-se se acreditas que o preço vai cair ou atingir o teto. Vendes uma call com strike baixo, compras uma call com strike alto. O crédito líquido é o teu ganho máximo.
Estudo de Caso: Estratégia de Call Baixista
Suponha que o ativo XY esteja cotado em torno de $55 e você prevê que não ultrapassará os $60. O seu movimento:
Três cenários possíveis ao vencimento:
Se XY se mantiver em $55 ou cai, ambas as opções expiram sem valor. Conservas íntegros os $250 iniciais.
Se XY terminar entre $55-$60, a call de $55 é exercida, mas a de $60 não. Perdes parte do crédito conforme onde fecha exatamente.
Se XY disparar acima de $60, ambas são exercidas. Vendes a $55, recompras a $60, perdendo $500. Mas já tinhas recebido $250, então a tua perda líquida máxima é $250.
Esta é a essência de um spread de crédito em opções: risco limitado desde o início.
A Conclusão Final
Os spreads de crédito operam em dois universos: obrigações e derivados. Nas obrigações, funcionam como uma bússola económica, mostrando quão nervosos estão os investidores. Em opções, são táticas de risco limitado para traders com perspetivas diretas. Em ambos os casos, compreendê-los permite-te ler melhor o mercado e tomar decisões mais informadas.