Previsões de eventos “cisne negro” no mercado finalmente desencadearam uma resposta regulatória nos EUA. Quando uma conta misteriosa na Polymarket, com um investimento de 32.500 dólares, conseguiu ganhar 400.000 dólares em 24 horas, essa “aposta insider” perfeita não apenas expôs vulnerabilidades do mercado, mas também impulsionou ações legislativas. Curiosamente, a Kalshi, líder do setor, não resistiu, mas apoiou ativamente essa tempestade regulatória. Qual será a lógica por trás disso?
De uma “aposta perfeita” às irregularidades de negociação com informações privilegiadas
A faísca foi clara. No final de dezembro de 2025, uma conta recém-criada na Polymarket realizou várias negociações, todas apostando que os EUA tomariam ações contra a Venezuela. Essa conta comprou em grande quantidade contratos de “Maduro será deposto até 31 de janeiro” a cerca de 0,07 dólares cada. Quando os EUA anunciaram a prisão de Maduro, essa negociação rendeu mais de 1200%, com lucros superiores a 40 mil dólares.
Mais absurdo ainda, dados do mercado mostraram que o preço do contrato começou a subir anormalmente horas antes do anúncio oficial de Trump. Isso não foi coincidência, foi uma negociação com informações privilegiadas.
Houve casos semelhantes na mesma época. Um usuário chamado “AlphaRaccoon” apostou com precisão no vencedor quase sem esperança antes do anúncio do Google de seu ranking de buscas anual, obtendo lucros diários superiores a um milhão de dólares. Esses eventos, somados, ativaram os nervos dos reguladores americanos.
Legislação à vista, mirando o “privilégio” de figuras governamentais
Ritchie Torres, deputado democrata de Nova York, propôs imediatamente a “Lei de Mercado de Previsões Financeiras de Integridade Pública de 2026”. O núcleo da lei é direto: proibir que funcionários públicos eleitos, nomeados políticos e funcionários do setor executivo participem de negociações em mercados de previsão relacionados a políticas governamentais, ações do governo ou resultados políticos.
Em outras palavras, quem possui informações privilegiadas não pode negociar no mercado de previsão. Parece óbvio, mas neste setor emergente, há muito tempo, ele operava em uma espécie de vácuo regulatório.
Segundo as últimas notícias, a proposta será oficialmente apresentada nesta semana. Este momento é crucial — responde diretamente à opinião pública gerada pelo incidente de insider na Polymarket.
Regulamentado vs. não regulamentado, a “declaração oportuna” da Kalshi
Tarek Mansour, CEO da Kalshi, afirmou em 8 de janeiro que apoia a legislação e destacou que a Kalshi já implementou regras contra negociações com informações privilegiadas em sua plataforma. Ele acrescentou que a Kalshi adota regras semelhantes às da NYSE e Nasdaq, proibindo usuários com acesso a informações não públicas de participarem de negociações relacionadas.
O ponto-chave dessa declaração é: a Kalshi está ativamente se distanciando do problema.
Dimensão
Kalshi
Polymarket
Estado regulatório
Regulada pela CFTC dos EUA
Descentralizada, não regulada nos EUA
Regras contra insider trading
Implementadas, similares à NYSE
Sem regras claras, com controvérsias frequentes
Volume de negociações em dezembro de 2025
6,26 bilhões de dólares
2,28 bilhões de dólares
Características da plataforma
Centralizada, regulada
On-chain, descentralizada
Mansour também enfatizou que a controvérsia atual concentra-se principalmente em plataformas fora dos EUA e não reguladas. A mensagem é clara: o problema não é a Kalshi, mas as plataformas offshore.
Por que a Kalshi apoia essa legislação
Essa questão merece reflexão. À primeira vista, novas restrições parecem prejudicar todas as plataformas. Mas o apoio ativo da Kalshi tem várias razões:
Vantagem competitiva diferenciada
Como plataforma regulada, a Kalshi já possui uma base de conformidade. Apoiar a legislação ajuda a consolidar sua imagem de “regulada”, diferenciando-se de plataformas como a Polymarket, que crescem de forma “selvagem”. Isso é vantajoso para atrair investidores institucionais e usuários avessos ao risco.
Necessidade de normatização de longo prazo
O mercado de previsão experimentou crescimento explosivo em 2025. Dados indicam que, em setembro, o volume combinado da Kalshi e Polymarket atingiu 1,44 bilhão de dólares. Esse crescimento rápido inevitavelmente atrairá regulações mais rígidas. A Kalshi, ao abraçar a regulamentação antecipadamente, está se preparando para a normatização de longo prazo do setor.
Combate à concorrência
Embora pareça menos “glamouroso”, a implementação da nova lei colocará plataformas sem conformidade sob maior pressão. Isso favorece a posição competitiva da Kalshi.
Perspectivas do setor: crescimento após a normatização
Regulação não significa recessão do mercado. O analista Gautam Chhugani, da Bernstein, prevê que o volume de negociações do mercado de previsão em 2026 pode dobrar para 70 bilhões de dólares, com receita anual de cerca de 1,4 bilhão. Essa taxa de crescimento sugere que a normatização pode liberar uma demanda ainda maior.
Por quê? Porque, com um quadro regulatório claro, investidores institucionais e empresas terão mais confiança para entrar nesse mercado. Plataformas reguladas ou com compromissos de conformidade, como Kalshi, Robinhood e Coinbase, podem obter mais apoio regulatório e participação de mercado.
Conclusão
Essa história de “apostas insider” até a legislação reflete, na essência, a transição do mercado de previsão de uma fase de crescimento selvagem para uma maturidade regulada. O apoio ativo da Kalshi não é uma concessão, mas uma leitura acertada do grande movimento do setor.
Pontos-chave:
Incidentes de insider trading expuseram vulnerabilidades do mercado, tornando a legislação inevitável
A diferenciação entre plataformas reguladas e não reguladas se intensificará
A normatização não matará o setor, mas poderá liberar maior potencial de crescimento
Em 2026, o cenário competitivo do mercado de previsão será reformulado, com a conformidade se tornando uma vantagem competitiva central
Para investidores, isso é um sinal: ao investir em ativos relacionados a previsões, priorizem plataformas e tokens com compromissos claros de conformidade, evitando projetos que, sob a bandeira de “descentralização”, carecem de regras.
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A regulamentação chegou, por que a Kalshi apoia a legislação para proibir negociações privilegiadas?
Previsões de eventos “cisne negro” no mercado finalmente desencadearam uma resposta regulatória nos EUA. Quando uma conta misteriosa na Polymarket, com um investimento de 32.500 dólares, conseguiu ganhar 400.000 dólares em 24 horas, essa “aposta insider” perfeita não apenas expôs vulnerabilidades do mercado, mas também impulsionou ações legislativas. Curiosamente, a Kalshi, líder do setor, não resistiu, mas apoiou ativamente essa tempestade regulatória. Qual será a lógica por trás disso?
De uma “aposta perfeita” às irregularidades de negociação com informações privilegiadas
A faísca foi clara. No final de dezembro de 2025, uma conta recém-criada na Polymarket realizou várias negociações, todas apostando que os EUA tomariam ações contra a Venezuela. Essa conta comprou em grande quantidade contratos de “Maduro será deposto até 31 de janeiro” a cerca de 0,07 dólares cada. Quando os EUA anunciaram a prisão de Maduro, essa negociação rendeu mais de 1200%, com lucros superiores a 40 mil dólares.
Mais absurdo ainda, dados do mercado mostraram que o preço do contrato começou a subir anormalmente horas antes do anúncio oficial de Trump. Isso não foi coincidência, foi uma negociação com informações privilegiadas.
Houve casos semelhantes na mesma época. Um usuário chamado “AlphaRaccoon” apostou com precisão no vencedor quase sem esperança antes do anúncio do Google de seu ranking de buscas anual, obtendo lucros diários superiores a um milhão de dólares. Esses eventos, somados, ativaram os nervos dos reguladores americanos.
Legislação à vista, mirando o “privilégio” de figuras governamentais
Ritchie Torres, deputado democrata de Nova York, propôs imediatamente a “Lei de Mercado de Previsões Financeiras de Integridade Pública de 2026”. O núcleo da lei é direto: proibir que funcionários públicos eleitos, nomeados políticos e funcionários do setor executivo participem de negociações em mercados de previsão relacionados a políticas governamentais, ações do governo ou resultados políticos.
Em outras palavras, quem possui informações privilegiadas não pode negociar no mercado de previsão. Parece óbvio, mas neste setor emergente, há muito tempo, ele operava em uma espécie de vácuo regulatório.
Segundo as últimas notícias, a proposta será oficialmente apresentada nesta semana. Este momento é crucial — responde diretamente à opinião pública gerada pelo incidente de insider na Polymarket.
Regulamentado vs. não regulamentado, a “declaração oportuna” da Kalshi
Tarek Mansour, CEO da Kalshi, afirmou em 8 de janeiro que apoia a legislação e destacou que a Kalshi já implementou regras contra negociações com informações privilegiadas em sua plataforma. Ele acrescentou que a Kalshi adota regras semelhantes às da NYSE e Nasdaq, proibindo usuários com acesso a informações não públicas de participarem de negociações relacionadas.
O ponto-chave dessa declaração é: a Kalshi está ativamente se distanciando do problema.
Mansour também enfatizou que a controvérsia atual concentra-se principalmente em plataformas fora dos EUA e não reguladas. A mensagem é clara: o problema não é a Kalshi, mas as plataformas offshore.
Por que a Kalshi apoia essa legislação
Essa questão merece reflexão. À primeira vista, novas restrições parecem prejudicar todas as plataformas. Mas o apoio ativo da Kalshi tem várias razões:
Vantagem competitiva diferenciada
Como plataforma regulada, a Kalshi já possui uma base de conformidade. Apoiar a legislação ajuda a consolidar sua imagem de “regulada”, diferenciando-se de plataformas como a Polymarket, que crescem de forma “selvagem”. Isso é vantajoso para atrair investidores institucionais e usuários avessos ao risco.
Necessidade de normatização de longo prazo
O mercado de previsão experimentou crescimento explosivo em 2025. Dados indicam que, em setembro, o volume combinado da Kalshi e Polymarket atingiu 1,44 bilhão de dólares. Esse crescimento rápido inevitavelmente atrairá regulações mais rígidas. A Kalshi, ao abraçar a regulamentação antecipadamente, está se preparando para a normatização de longo prazo do setor.
Combate à concorrência
Embora pareça menos “glamouroso”, a implementação da nova lei colocará plataformas sem conformidade sob maior pressão. Isso favorece a posição competitiva da Kalshi.
Perspectivas do setor: crescimento após a normatização
Regulação não significa recessão do mercado. O analista Gautam Chhugani, da Bernstein, prevê que o volume de negociações do mercado de previsão em 2026 pode dobrar para 70 bilhões de dólares, com receita anual de cerca de 1,4 bilhão. Essa taxa de crescimento sugere que a normatização pode liberar uma demanda ainda maior.
Por quê? Porque, com um quadro regulatório claro, investidores institucionais e empresas terão mais confiança para entrar nesse mercado. Plataformas reguladas ou com compromissos de conformidade, como Kalshi, Robinhood e Coinbase, podem obter mais apoio regulatório e participação de mercado.
Conclusão
Essa história de “apostas insider” até a legislação reflete, na essência, a transição do mercado de previsão de uma fase de crescimento selvagem para uma maturidade regulada. O apoio ativo da Kalshi não é uma concessão, mas uma leitura acertada do grande movimento do setor.
Pontos-chave:
Para investidores, isso é um sinal: ao investir em ativos relacionados a previsões, priorizem plataformas e tokens com compromissos claros de conformidade, evitando projetos que, sob a bandeira de “descentralização”, carecem de regras.