Plataforma de troca de criptomoedas enfrenta crise de lavagem de dinheiro: 28 mil milhões de dólares em investigação

Vaidade e Contradições na Indústria

À medida que a indústria de criptomoedas avança rumo à visibilidade mainstream e ganha reconhecimento de Wall Street e do setor financeiro tradicional, uma tempestade silenciosa de lavagem de dinheiro está a acontecer.

De acordo com investigações conjuntas da Aliança Internacional de Jornalistas Investigativos e de várias organizações de notícias de renome, nos últimos dois anos, pelo menos 28 mil milhões de dólares em fundos ilícitos entraram em plataformas globais de troca de criptomoedas. Esses fundos ilegais provêm de hackers, grupos de fraude, extorsionadores e outros criminosos, incluindo organizações de crimes cibernéticos estrangeiras e redes de fraude que operam em múltiplos países e regiões.

Pesquisadores de empresas de investigação de criptomoedas afirmam que as autoridades de aplicação da lei estão a mostrar-se impotentes perante o crescimento contínuo de atividades ilegais neste setor, tornando-se um risco para a segurança financeira global.

Três Principais Fluxos de Dinheiro Ilícito

A investigação revelou três principais rotas de entrada de fundos ilegais nas exchanges.

Dinheiro roubado por hackers

Em fevereiro deste ano, ocorreu um grande roubo que abalou o mundo das criptomoedas. Uma exchange conhecida foi invadida por hackers, que roubaram fundos no valor de 1,5 mil milhões de dólares, estabelecendo um recorde na história das criptomoedas. Em poucos dias, os hackers transferiram o dinheiro roubado para plataformas de troca, convertendo Ethereum roubado em Bitcoin.

Dados de empresas de rastreamento de blockchain revelam que, na mesma altura em que os hackers efetuaram a troca de moedas, várias contas de depósito numa plataforma principal receberam repentinamente 9 mil milhões de dólares em Ethereum provenientes dessa mesma plataforma de troca. Especialistas em rastreamento indicam que, embora tecnicamente esses fundos tenham mudado de mãos, as exchanges acabaram por se tornar o terminal da cadeia de lavagem de dinheiro dos hackers, ajudando a lavar centenas de milhões de dólares em lucros ilícitos.

Os especialistas afirmam que, com base na linha do tempo, a origem desses Ethereum é claramente suspeita, sendo a única explicação razoável que se trata de fundos roubados. Mesmo sistemas de controlo de risco com falhas deveriam detectar esse tipo de irregularidades, mas as exchanges não responderam de forma positiva a estas suspeitas.

Operações sistematizadas de grupos de fraude

A fraude tornou-se uma doença crônica na indústria de criptomoedas, sendo o esquema de “pump and dump” particularmente prevalente. Os fraudadores disfarçam-se de admiradores e criam relações de confiança com as vítimas, induzindo-as a investir em projetos falsos de criptomoedas.

Dados do FBI mostram que, no ano passado, fraudes de investimento em criptomoedas causaram perdas de até 5,8 mil milhões de dólares. Num caso em Minnesota, um pai foi enganado por 1,5 milhão de dólares, dos quais mais de 500 mil dólares acabaram numa plataforma de troca. O caso também revelou uma surpreendente realidade — muitas contas abertas através de dados KYC fornecidos às exchanges eram, na verdade, criadas por fraudadores usando identidades roubadas, atuando como “transportadores de fundos”.

Uma vítima de 58 anos na província de Alberta, Canadá, perdeu 25 mil dólares de suas economias de toda a vida. Rastreamentos indicam que o seu dinheiro roubado passou por várias carteiras antes de chegar à exchange, levando até seis meses para ser congelado.

Lavagem de dinheiro estruturada por grupos criminosos

Uma organização criminosa internacional estabeleceu uma vasta cadeia de atividades ilegais no Sudeste Asiático. Além de operar negócios financeiros legítimos, essa organização também gerencia plataformas de troca digital clandestinas, conhecidas como “Amazon dos criminosos” — onde se podem trocar informações pessoais roubadas, suporte técnico para fraudes e serviços de lavagem de dinheiro.

O Ministério das Finanças internacional já emitiu ordens de proibição para impedir que essa organização aceda ao sistema financeiro dos EUA, qualificando-a como um “núcleo de hackers e fraudes de investimento”. No entanto, investigações descobriram que, mesmo após a emissão dessas ordens, a organização continuou a transferir mais de 1 milhão de dólares em fundos para plataformas de troca através de carteiras de criptomoedas, num período de dois meses e meio.

O Dilema da “Conformidade” das Exchanges

As plataformas de troca mainstream afirmam que segurança e conformidade são o núcleo de suas operações. Uma grande exchange declarou ter respondido a mais de 240 mil pedidos de cooperação com as autoridades, com 65 mil apenas no último ano. Outra plataforma afirmou ter investido recursos significativos em monitoramento de transações e ferramentas de deteção de fraudes.

No entanto, os dados contam uma história diferente. Apesar de algumas exchanges terem chegado a acordos de resolução com o governo por violações regulatórias e terem prometido melhorias, o fluxo de fundos suspeitos em grande escala nunca cessou realmente.

Especialistas em criptomoedas da Universidade da Califórnia apontam uma contradição fundamental: “Se as exchanges expulsassem os criminosos, perderiam uma grande fonte de receita. Portanto, na prática, elas têm um motivo para tolerar atividades ilegais.”

Este ponto de vista evidencia uma dor na indústria — sob o atual quadro regulatório, a capacidade das exchanges de identificar transações suspeitas é limitada, e uma investigação aprofundada pode diminuir a eficiência operacional e os lucros.

Canais Cinzentos de Liquidação de Criptomoedas

A investigação também revelou um elo crucial numa rede global de lavagem de dinheiro: lojas de troca de criptomoedas dispersas na Ásia e na Europa de Leste.

Estas lojas geralmente estão escondidas em locais comerciais comuns, onde os clientes podem trocar grandes quantidades de criptomoedas por dólares, euros ou outras moedas fiduciárias sem precisar apresentar documentos de identificação. Dados de empresas de rastreamento indicam que, no ano passado, lojas semelhantes em Hong Kong processaram transações superiores a 2,5 mil milhões de dólares.

Uma investigação de campo em Kiev, Ucrânia, revelou que, após um depósito de 1200 dólares em criptomoedas, o jornalista recebeu em poucos minutos dinheiro em espécie amarrado com uma borracha grossa, sem recibo, e os registros da transação foram imediatamente apagados após a conclusão.

Mais preocupante ainda, é que esses fundos de criptomoedas frequentemente vêm de plataformas de troca mainstream. Registros de transações mostram que muitas dessas lojas receberam fundos de grandes exchanges, formando uma cadeia completa de liquidação: fundos ilícitos entram na exchange → são sacados para lojas de troca → convertidos em dinheiro vivo.

Pontos Fracos na Regulação do Setor

A principal dificuldade desta investigação foi que muitas contas criminosas ainda não foram expostas publicamente; o trabalho revelou apenas a ponta do iceberg. Contudo, esta foi a primeira análise sistemática de rastreamento de fundos em plataformas específicas.

As autoridades financeiras e de aplicação da lei internacionais também estão a ajustar suas estratégias. Em abril, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou uma mudança na abordagem de responsabilização por crimes de criptomoedas, afirmando que o foco deve ser combater terroristas e traficantes que usam criptomoedas, e não responsabilizar as plataformas. Essa decisão, na prática, enfraquece a fiscalização das exchanges.

Especialistas jurídicos afirmam que a ilegalidade de uma exchange deve ser avaliada caso a caso. Mesmo que uma empresa lide com fundos ilícitos, se não estabelecer mecanismos internos eficazes de combate à lavagem de dinheiro, pode ser processada por violar a Lei de Sigilo Bancário. Contudo, na prática, a falta de recursos regulatórios e de fiscalização eficazes impede uma resposta adequada ao rápido crescimento do setor.

As criptomoedas estão a tornar-se uma parte cada vez mais importante do sistema financeiro global, e o fluxo de 280 mil milhões de dólares em fundos ilícitos reflete as profundas dificuldades que a indústria enfrenta na sua regulamentação — como equilibrar inovação e prevenção do crime.

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