Os preços do cacau sobem devido a constrangimentos na oferta e cobertura de posições vendidas—mas os ventos contrários persistem

Os contratos futuros de cacau registaram uma subida significativa na terça-feira, à medida que o deteriorar dos fluxos de transporte para os portos na Costa de Marfim desencadeou um movimento de cobertura de posições vendidas no mercado. Os preços continuaram a subir pelo segundo dia consecutivo de ganhos, com o cacau de março na ICE NY a avançar +90 pontos (+2,14%) e o cacau #7 de março na ICE de Londres a subir +91 pontos (+3,04%). Por trás desta recuperação de preços encontra-se uma interação complexa de constrangimentos de oferta, fraqueza estrutural da procura e mudanças nas posições do mercado que pintam um quadro nuançado para os traders de cacau.

Cobertura de posições vendidas impulsiona a subida à medida que as entregas na Costa de Marfim desaceleram

O catalisador imediato para a subida do cacau resulta da diminuição das taxas de entrega nos portos da Costa de Marfim durante o atual ano de comercialização. Segundo os dados acumulados até segunda-feira, os agricultores da Costa de Marfim entregaram apenas 1,23 milhões de toneladas métricas (MMT) nos portos de 1 de outubro de 2025 a 1 de fevereiro de 2026 — uma diminuição de 4,7% em relação às 1,24 MMT do mesmo período do ano anterior. Como a Costa de Marfim representa aproximadamente um terço da oferta global de cacau, esta desaceleração levou os traders com posições vendidas a cobrir as suas posições, criando uma pressão de subida nos preços. A correção ocorreu após o cacau de Nova Iorque atingir uma mínima de 2,25 anos e o cacau de Londres uma mínima de 2,5 anos na passada sexta-feira, quando as preocupações com excesso de oferta global dominavam o sentimento.

Dificuldades na procura global contra uma oferta abundante

Apesar da subida dos preços do cacau esta semana, a estrutura subjacente da procura permanece profundamente desafiada. A resistência dos consumidores a preços elevados de chocolate continua a pesar nos volumes das principais regiões produtoras. A Barry Callebaut AG, maior fabricante mundial de chocolate a granel, reportou uma queda acentuada de 22% no volume de vendas da sua divisão de cacau no trimestre até 30 de novembro, citando “uma procura de mercado negativa e uma priorização do volume para segmentos de maior retorno”. Esta deterioração da procura manifesta-se claramente nos relatórios de moagem de regiões-chave: as moagem de cacau na Europa caíram 8,3% em relação ao ano anterior no quarto trimestre, para 304.470 MT (bem abaixo da queda prevista de 2,9%), marcando o menor quarto trimestre em doze anos. As moagem de cacau na Ásia contraíram 4,8% em relação ao ano anterior, para 197.022 MT, enquanto as moagem na América do Norte aumentaram apenas 0,3%, para 103.117 MT. Estes números fracos de consumo refletem o desafio fundamental que enfrenta o mercado de cacau: os preços terão de recuar significativamente para reativar a procura entre fabricantes e consumidores.

Os previsores projetam condições de excesso persistentes no futuro. A StoneX prevê um excedente global de 287.000 MT para a temporada de 2025/26, enquanto a Rabobank recentemente reduziu a sua estimativa de excedente para 250.000 MT, face a uma previsão anterior de 328.000 MT. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) informou a 23 de janeiro que os stocks globais de cacau aumentaram 4,2% em relação ao ano anterior, para 1,1 MMT, sublinhando níveis de inventário abundantes em todo o mundo.

Mudanças na estrutura do mercado: recuperação de inventários e otimismo na colheita

Mesmo enquanto os preços do cacau sobem nesta sessão, a dinâmica dos inventários apresenta um sinal misto para a saúde estrutural do mercado. Desde que atingiu uma mínima de 10,5 meses de 1.626.105 sacos a 26 de dezembro, os inventários de cacau monitorizados pela ICE nos portos dos EUA recuperaram substancialmente, atingindo um máximo de 2,5 meses, de 1.782.921 sacos, na terça-feira. Este aumento de inventários, embora indique uma procura física fraca, atua como um fator de pressão de baixa a longo prazo nos preços.

Para contrariar as preocupações com os inventários, estão as condições favoráveis de cultivo na África Ocidental. O Tropical General Investments Group observou que condições agrícolas ideais deverão impulsionar as colheitas de cacau em fevereiro e março na Costa de Marfim e Gana, com os agricultores a relatar frutos notavelmente maiores e mais saudáveis em comparação com a colheita do ano passado. A Mondelez informou que o último contagem de frutos na África Ocidental está 7% acima da média de cinco anos e “substancialmente superior” à produção do ano passado. A colheita principal na Costa de Marfim já começou, e os agricultores manifestam otimismo quanto às perspetivas de qualidade.

Perspetiva de oferta mais apertada — um ano de reversões

Para além da ação de preços da semana, o quadro de oferta a longo prazo sofreu uma revisão dramática. A Nigéria, quinto maior produtor mundial de cacau, representa um ponto positivo para o suporte dos preços: as exportações de cacau de novembro da Nigéria caíram 7% em relação ao ano anterior, para 35.203 MT, e a Associação de Cacau da Nigéria projeta que a produção de 2025/26 cairá 11%, para 305.000 MT, face a uma previsão anterior de 344.000 MT para 2024/25. Esta escassez de oferta na Nigéria fornece um contrapeso à abundância na África Ocidental.

O ano de 2023/24 marcou um ponto de inflexão nos mercados globais de cacau. Em 30 de maio, a ICCO reviu a sua estimativa de défice para 2023/24 para um valor impressionante de -494.000 MT — o maior défice registado em mais de sessenta anos — devido ao colapso da produção global, que caiu 12,9%, para 4,368 MMT. Essa escassez severa elevou os preços a níveis extraordinários e forçou a destruição da procura. Em contraste, a estimativa da ICCO de 19 de dezembro situou o excedente da temporada de 2024/25 em 49.000 MT, o primeiro excedente em quatro anos, com a produção global a recuperar 7,4%, para 4,69 MMT. Esta recuperação na oferta explica a pressão fundamental de baixa sobre os preços, mesmo que fatores táticos de curto prazo permitam ao cacau subir em sessões individuais de negociação. A subida reflete o posicionamento dos traders, em vez de uma reversão da abundância subjacente de oferta, sugerindo que qualquer recuperação sustentada dos preços provavelmente enfrentará novas vendas à medida que o mercado trabalha na descoberta de preços num ambiente estrutural de excesso.

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