Futuros de gás natural do Nymex de março fecharam em forte baixa na segunda-feira, despencando -25,65% (-1,117) para se estabelecerem em mínimas de 3 semanas. A reversão dramática em relação ao pico de 3 anos da semana passada destaca as pressões voláteis que estão a remodelar os mercados de energia, à medida que a produção nos EUA retoma e os padrões climáticos se tornam mais quentes em todo o continente.
Recuperação de Tempestades Inunda os Mercados com Produção de Gás
A recuperação na produção de gás natural nos EUA foi o principal motor da forte venda de segunda-feira. Os volumes de produção dispararam para 111,6 bcf/d — o nível mais alto em quase duas semanas — à medida que operações que tinham sido interrompidas pela severa tempestade de inverno da semana anterior voltaram a estar em funcionamento. A escala da perturbação na produção foi substancial: aproximadamente 50 bilhões de pés cúbicos de gás foram desligados durante o evento de tempestade, representando cerca de 15% da produção total de gás natural dos EUA nesse período.
De acordo com dados da BNEF, a produção de gás seco nos estados do Lower-48 na segunda-feira atingiu 111,6 bcf/d, marcando um aumento de +5,7% em relação ao ano anterior. A recuperação na oferta contrasta fortemente com os gargalos de produção que tinham levado os preços a níveis astronômicos poucos dias antes. Essa perturbação induzida pelo clima, combinada com o frio extremo que provocou congelamentos no Texas e em outras regiões produtoras importantes, elevou temporariamente os preços do gás natural a territórios não vistos há três anos.
Previsões Meteorológicas Tornam-se Mais Quentes, Aliviando a Pressão da Demanda
Assim que a oferta se recuperou, os fundamentos da demanda também mudaram para baixo. O Commodity Weather Group divulgou previsões atualizadas de 10 dias indicando uma tendência de aquecimento no padrão climático dos EUA — um desenvolvimento que imediatamente diminuiu as expectativas de consumo de gás natural para aquecimento. Esse duplo alívio — tanto do lado da oferta quanto do lado da demanda — criou uma pressão de venda significativa que acelerou as perdas ao longo da sessão de negociação.
Dados de demanda da BNEF mostraram que a demanda de gás nos estados do Lower-48 na segunda-feira foi de 117,3 bcf/d, embora isso representasse um aumento substancial de +34,4% em relação ao ano anterior, a previsão de temperaturas mais quentes sugeria que esses níveis elevados de consumo não persistiriam.
A diferença nos padrões regionais tornou-se evidente ao examinar os fluxos de exportação de GNL. Os fluxos líquidos estimados para terminais de exportação de gás natural nos EUA na segunda-feira totalizaram 18,4 bcf/d, apresentando um aumento notável de +85,9% semana a semana. Essa força do GNL forneceu algum contrapeso às preocupações com a demanda doméstica, embora a previsão de clima mais quente tenha limitado o suporte ao mercado.
Fundamentos de Oferta Apresentam Sinais Mistas
Os níveis de inventário continuam a indicar fornecimento abundante de gás natural em todo o sistema. Dados semanais da EIA mostraram que os estoques de gás natural para a semana que terminou em 23 de janeiro diminuíram em 242 bcf — maior do que as expectativas de consenso de -238 bcf e acima da média semanal de 5 anos de -208 bcf. Apesar dessa retirada maior que a média, os níveis de armazenamento em 23 de janeiro estavam +9,8% em relação ao ano anterior e +5,3% acima da média sazonal de 5 anos, confirmando uma almofada de oferta abundante.
A situação nos estoques europeus apresenta um quadro diferente. Em 31 de janeiro, a capacidade de armazenamento de gás no continente atingiu apenas 41%, ficando significativamente abaixo da média de 57% dos últimos 5 anos para essa época do ano. Essa divergência destaca a natureza regional das dinâmicas de oferta de gás natural.
Olhando para o futuro, a perspectiva de oferta de longo prazo oferece algum suporte aos preços. A EIA, em meados de janeiro, reduziu sua previsão de produção para 2026 para 107,4 bcf/d, contra a estimativa do mês anterior de 109,11 bcf/d. No entanto, essa projeção contrasta com a produção atual, que está próxima de recordes históricos, com plataformas de perfuração ativas nos EUA recentemente atingindo máximos de 2 anos. A Baker Hughes informou que o número de plataformas de gás natural ativas na semana que terminou em 30 de janeiro aumentou em 3, chegando a 125 plataformas — modestamente abaixo do máximo de 2,25 anos de 130 plataformas estabelecido no final de novembro.
Atividade de Perfuração Permanece Elevada Apesar dos Obstáculos de Preço
O número elevado de plataformas reforça a atividade contínua de perfuração, apesar do recente colapso de preços. Em uma comparação de um ano, o número de plataformas de gás aumentou substancialmente desde o mínimo de 94 plataformas registrado em setembro de 2024, há 4,5 anos. Essa recuperação na infraestrutura de perfuração sugere que os produtores continuam comprometidos com a expansão do gás natural, apesar da fraqueza atual dos preços.
Dados de geração de eletricidade também apresentaram obstáculos adicionais. O Edison Electric Institute relatou que a produção de eletricidade nos EUA do Lower-48 na semana encerrada em 24 de janeiro caiu -6,3% em relação ao ano anterior, atingindo 91.131 GWh, reduzindo a demanda por gás natural na geração de energia. No entanto, a tendência de produção ao longo de 52 semanas permaneceu favorável, com a geração total de eletricidade aumentando +2,1% em relação ao ano anterior, atingindo 4.286.060 GWh no período de 52 semanas.
A combinação de recuperação na produção, previsões de clima mais quente e estoques abundantes superou os fatores de suporte provenientes de fortes exportações de GNL e demanda de curto prazo elevada. Os mercados de gás natural enfrentam um cenário fluido, onde os fundamentos de oferta continuam a mudar mais rapidamente do que as expectativas, deixando a direção dos preços dependente da velocidade de normalização adicional da produção e da resposta real da demanda às previsões de aquecimento.
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Os preços do gás natural invertem a tendência: aumento da produção eclipsa impacto da tempestade de inverno
Futuros de gás natural do Nymex de março fecharam em forte baixa na segunda-feira, despencando -25,65% (-1,117) para se estabelecerem em mínimas de 3 semanas. A reversão dramática em relação ao pico de 3 anos da semana passada destaca as pressões voláteis que estão a remodelar os mercados de energia, à medida que a produção nos EUA retoma e os padrões climáticos se tornam mais quentes em todo o continente.
Recuperação de Tempestades Inunda os Mercados com Produção de Gás
A recuperação na produção de gás natural nos EUA foi o principal motor da forte venda de segunda-feira. Os volumes de produção dispararam para 111,6 bcf/d — o nível mais alto em quase duas semanas — à medida que operações que tinham sido interrompidas pela severa tempestade de inverno da semana anterior voltaram a estar em funcionamento. A escala da perturbação na produção foi substancial: aproximadamente 50 bilhões de pés cúbicos de gás foram desligados durante o evento de tempestade, representando cerca de 15% da produção total de gás natural dos EUA nesse período.
De acordo com dados da BNEF, a produção de gás seco nos estados do Lower-48 na segunda-feira atingiu 111,6 bcf/d, marcando um aumento de +5,7% em relação ao ano anterior. A recuperação na oferta contrasta fortemente com os gargalos de produção que tinham levado os preços a níveis astronômicos poucos dias antes. Essa perturbação induzida pelo clima, combinada com o frio extremo que provocou congelamentos no Texas e em outras regiões produtoras importantes, elevou temporariamente os preços do gás natural a territórios não vistos há três anos.
Previsões Meteorológicas Tornam-se Mais Quentes, Aliviando a Pressão da Demanda
Assim que a oferta se recuperou, os fundamentos da demanda também mudaram para baixo. O Commodity Weather Group divulgou previsões atualizadas de 10 dias indicando uma tendência de aquecimento no padrão climático dos EUA — um desenvolvimento que imediatamente diminuiu as expectativas de consumo de gás natural para aquecimento. Esse duplo alívio — tanto do lado da oferta quanto do lado da demanda — criou uma pressão de venda significativa que acelerou as perdas ao longo da sessão de negociação.
Dados de demanda da BNEF mostraram que a demanda de gás nos estados do Lower-48 na segunda-feira foi de 117,3 bcf/d, embora isso representasse um aumento substancial de +34,4% em relação ao ano anterior, a previsão de temperaturas mais quentes sugeria que esses níveis elevados de consumo não persistiriam.
A diferença nos padrões regionais tornou-se evidente ao examinar os fluxos de exportação de GNL. Os fluxos líquidos estimados para terminais de exportação de gás natural nos EUA na segunda-feira totalizaram 18,4 bcf/d, apresentando um aumento notável de +85,9% semana a semana. Essa força do GNL forneceu algum contrapeso às preocupações com a demanda doméstica, embora a previsão de clima mais quente tenha limitado o suporte ao mercado.
Fundamentos de Oferta Apresentam Sinais Mistas
Os níveis de inventário continuam a indicar fornecimento abundante de gás natural em todo o sistema. Dados semanais da EIA mostraram que os estoques de gás natural para a semana que terminou em 23 de janeiro diminuíram em 242 bcf — maior do que as expectativas de consenso de -238 bcf e acima da média semanal de 5 anos de -208 bcf. Apesar dessa retirada maior que a média, os níveis de armazenamento em 23 de janeiro estavam +9,8% em relação ao ano anterior e +5,3% acima da média sazonal de 5 anos, confirmando uma almofada de oferta abundante.
A situação nos estoques europeus apresenta um quadro diferente. Em 31 de janeiro, a capacidade de armazenamento de gás no continente atingiu apenas 41%, ficando significativamente abaixo da média de 57% dos últimos 5 anos para essa época do ano. Essa divergência destaca a natureza regional das dinâmicas de oferta de gás natural.
Olhando para o futuro, a perspectiva de oferta de longo prazo oferece algum suporte aos preços. A EIA, em meados de janeiro, reduziu sua previsão de produção para 2026 para 107,4 bcf/d, contra a estimativa do mês anterior de 109,11 bcf/d. No entanto, essa projeção contrasta com a produção atual, que está próxima de recordes históricos, com plataformas de perfuração ativas nos EUA recentemente atingindo máximos de 2 anos. A Baker Hughes informou que o número de plataformas de gás natural ativas na semana que terminou em 30 de janeiro aumentou em 3, chegando a 125 plataformas — modestamente abaixo do máximo de 2,25 anos de 130 plataformas estabelecido no final de novembro.
Atividade de Perfuração Permanece Elevada Apesar dos Obstáculos de Preço
O número elevado de plataformas reforça a atividade contínua de perfuração, apesar do recente colapso de preços. Em uma comparação de um ano, o número de plataformas de gás aumentou substancialmente desde o mínimo de 94 plataformas registrado em setembro de 2024, há 4,5 anos. Essa recuperação na infraestrutura de perfuração sugere que os produtores continuam comprometidos com a expansão do gás natural, apesar da fraqueza atual dos preços.
Dados de geração de eletricidade também apresentaram obstáculos adicionais. O Edison Electric Institute relatou que a produção de eletricidade nos EUA do Lower-48 na semana encerrada em 24 de janeiro caiu -6,3% em relação ao ano anterior, atingindo 91.131 GWh, reduzindo a demanda por gás natural na geração de energia. No entanto, a tendência de produção ao longo de 52 semanas permaneceu favorável, com a geração total de eletricidade aumentando +2,1% em relação ao ano anterior, atingindo 4.286.060 GWh no período de 52 semanas.
A combinação de recuperação na produção, previsões de clima mais quente e estoques abundantes superou os fatores de suporte provenientes de fortes exportações de GNL e demanda de curto prazo elevada. Os mercados de gás natural enfrentam um cenário fluido, onde os fundamentos de oferta continuam a mudar mais rapidamente do que as expectativas, deixando a direção dos preços dependente da velocidade de normalização adicional da produção e da resposta real da demanda às previsões de aquecimento.