O mercado global de café está a enviar sinais mistos esta semana, com os futuros de arábica a subir 1,30% enquanto os de robusta recuaram 2,24%, atingindo um mínimo de quatro semanas. Esta divergência entre as duas principais variedades de café do mundo destaca as forças complexas que estão a remodelar o comércio global de café. Por um lado, o clima favorável no Brasil apoia maiores rendimentos. Por outro lado, previsões de produção em alta e recuperações de inventário estão a pressionar os preços para baixo, criando um cenário de negociação desigual onde arábica e robusta respondem de forma diferente aos mesmos fundamentos de mercado.
Visão Geral do Mercado: A História de Dois Tipos de Café
A divisão entre arábica e robusta reflete desequilíbrios estruturais mais profundos na oferta global de café. A arábica, a variedade premium consumida principalmente em mercados desenvolvidos, enfrentou uma cobertura curta moderada que elevou ligeiramente os preços apesar da fraqueza mais ampla. A robusta, a variedade mais resistente usada em café instantâneo e misturas de espresso, caiu mais acentuadamente à medida que as exportações vietnamitas inundaram os mercados internacionais. Esta divergência reforça a ideia de que os traders de arábica e robusta não podem simplesmente aplicar o mesmo plano de ação a ambos os mercados — as dinâmicas de oferta e os padrões de procura divergem fortemente.
Colheita Abundante no Brasil Pressiona os Preços de Arábica Apesar do Clima Favorável
O Brasil, maior produtor mundial de arábica, recebeu chuvas acima da média que deveriam aumentar os rendimentos futuros, mas estão a pesar sobre os preços atuais. Na semana que terminou a 30 de janeiro, Minas Gerais — a principal região produtora de arábica no Brasil — registou 69,8 mm de chuva, ou 117% da média histórica, segundo a Somar Meteorologia. Isto é ostensivamente otimista para o fornecimento de café a longo prazo, mas aumentou o sentimento de pessimismo entre os traders que se preparam para excesso de oferta.
A razão? A agência de previsão de colheitas do Brasil, a Conab, aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, projetando 56,54 milhões de sacos — acima dos 55,20 milhões de sacos anteriormente previstos. Tal abundância trabalha contra os preços do arábica a curto prazo, especialmente à medida que os traders reavaliam as expectativas para baixo. A desconexão entre boas condições de cultivo e preços fracos ilustra uma verdade fundamental do mercado: ofertas futuras abundantes muitas vezes deprimem os valores à vista hoje.
Boom de Produção no Vietname Inunda o Mercado de Robusta
A dominância do Vietname na produção de robusta aumentou a pressão sobre os preços do robusta muito mais do que a produção de arábica enfrenta do Brasil. O Vietname exportou 1,58 milhões de toneladas métricas de café em 2025, um aumento de 17,5% em relação ao ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. Mais ominoso para os níveis de preço, a produção de 2025/26 do Vietname está projetada para subir 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas — um máximo de quatro anos — com a Associação de Café e Cacau do Vietname a sugerir que a produção poderá ser 10% superior à colheita anterior, se o clima colaborar.
A diferença entre as trajetórias de oferta de arábica e robusta é clara. Enquanto a produção de arábica no Brasil enfrenta uma pressão modesta, a produção de robusta no Vietname está a acelerar a quase o dobro da taxa. Isto explica porque o robusta tem sido fortemente penalizado enquanto o arábica se mantém relativamente mais estável. Os traders de robusta enfrentam uma avalanche de grãos vietnamitas a competir por quota de mercado, enquanto a oferta de arábica, embora em aumento, permanece mais equilibrada face à procura.
Inventários Contam uma História de Cautela para Ambas as Variedades
Tanto os inventários de arábica como os de robusta recuperaram após atingirem mínimos históricos, sinalizando que os stocks globais de café estão a estabilizar-se, mesmo que permaneçam historicamente restritos. Os inventários de arábica na ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos em novembro, mas recuperaram para 461.829 sacos até meados de janeiro. De forma semelhante, os inventários de robusta na ICE atingiram o fundo em 4.012 lotes em dezembro, antes de subir para 4.609 lotes no final de janeiro.
Esta recuperação, por modesta que seja, representa uma mudança de mentalidade. Os traders tinham-se posicionado para escassez; a recuperação dos stocks indica que a tensão aguda está a diminuir. No entanto, ao comparar arábica com robusta, a recuperação dos inventários de robusta tem mais peso — o aumento de grãos vietnamitas está a alimentar diretamente a acumulação de stocks na ICE de robusta, enquanto o aumento de arábica é mais gradual e limitado pela oferta.
Ventos Contrários: Quedas nas Exportações Compensam Medos de Oferta
As exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4% em relação ao mês anterior, para 2,86 milhões de sacos, com as exportações de arábica a diminuir 10% em relação ao ano anterior e as remessas de robusta a colapsar 61% em relação ao ano anterior. Esta desaceleração — impulsionada parcialmente por congestionamentos portuários e fatores sazonais — inicialmente parecia apoiar os preços. Contudo, mostrou-se insuficiente para superar o peso das previsões de aumento de produção e da concorrência vietnamita.
Entretanto, as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (outubro a setembro) caíram apenas 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, segundo a Organização Internacional do Café. Este quadro de exportação quase inalterado mascara desequilíbrios severos: as ofertas de arábica enfrentam um aperto à medida que a produção diminui em algumas regiões, enquanto as de robusta estão numa colisão com a procura, impulsionadas pela abundância vietnamita.
Perspetiva de Longo Prazo: Arábica e Robusta a Traçar Caminhos Diferentes
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou um quadro complexo na sua previsão de dezembro. A produção global de café em 2025/26 deverá aumentar 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos, mas a divisão entre arábica e robusta não poderia ser mais diferente. A produção de arábica está prevista diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos.
A produção de arábica no Brasil para 2025/26 deverá diminuir 3,1%, para 63 milhões de sacos, uma contração modesta. Em contrapartida, a produção do Vietname para o mesmo período deverá subir 6,2%, para 30,8 milhões de sacos — um pico de quatro anos. A matemática do mercado é inequívoca: o arábica enfrenta uma escassez estrutural no próximo ano, enquanto o robusta enfrenta uma abundância estrutural. Isto explica porque a divergência de preços entre arábica e robusta provavelmente persistirá, com o robusta a sofrer pressões constantes de baixa e o arábica a manter-se relativamente apoiado apesar da fraqueza de hoje.
Olhando para o futuro, os stocks finais globais de 2025/26 deverão diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, oferecendo algum suporte tanto ao arábica como ao robusta. Contudo, esta redução de reservas não será distribuída de forma uniforme. Os stocks de arábica permanecerão historicamente escassos, fornecendo pisos de preço e suportando rallys. Os stocks de robusta irão aumentar com as ofertas vietnamitas, limitando quaisquer rallys e impondo limites ao potencial de subida dos futuros de robusta. A divergência entre arábica e robusta reflete não um ruído temporário de mercado, mas mudanças estruturais fundamentais na produção e nos fluxos comerciais globais de café que provavelmente irão moldar os mercados de café bem para além do próximo ano.
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Sinais de Mercado Divergentes: Por que o Café Arábica e Robusta Estão Seguindo Direções Opostas
O mercado global de café está a enviar sinais mistos esta semana, com os futuros de arábica a subir 1,30% enquanto os de robusta recuaram 2,24%, atingindo um mínimo de quatro semanas. Esta divergência entre as duas principais variedades de café do mundo destaca as forças complexas que estão a remodelar o comércio global de café. Por um lado, o clima favorável no Brasil apoia maiores rendimentos. Por outro lado, previsões de produção em alta e recuperações de inventário estão a pressionar os preços para baixo, criando um cenário de negociação desigual onde arábica e robusta respondem de forma diferente aos mesmos fundamentos de mercado.
Visão Geral do Mercado: A História de Dois Tipos de Café
A divisão entre arábica e robusta reflete desequilíbrios estruturais mais profundos na oferta global de café. A arábica, a variedade premium consumida principalmente em mercados desenvolvidos, enfrentou uma cobertura curta moderada que elevou ligeiramente os preços apesar da fraqueza mais ampla. A robusta, a variedade mais resistente usada em café instantâneo e misturas de espresso, caiu mais acentuadamente à medida que as exportações vietnamitas inundaram os mercados internacionais. Esta divergência reforça a ideia de que os traders de arábica e robusta não podem simplesmente aplicar o mesmo plano de ação a ambos os mercados — as dinâmicas de oferta e os padrões de procura divergem fortemente.
Colheita Abundante no Brasil Pressiona os Preços de Arábica Apesar do Clima Favorável
O Brasil, maior produtor mundial de arábica, recebeu chuvas acima da média que deveriam aumentar os rendimentos futuros, mas estão a pesar sobre os preços atuais. Na semana que terminou a 30 de janeiro, Minas Gerais — a principal região produtora de arábica no Brasil — registou 69,8 mm de chuva, ou 117% da média histórica, segundo a Somar Meteorologia. Isto é ostensivamente otimista para o fornecimento de café a longo prazo, mas aumentou o sentimento de pessimismo entre os traders que se preparam para excesso de oferta.
A razão? A agência de previsão de colheitas do Brasil, a Conab, aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, projetando 56,54 milhões de sacos — acima dos 55,20 milhões de sacos anteriormente previstos. Tal abundância trabalha contra os preços do arábica a curto prazo, especialmente à medida que os traders reavaliam as expectativas para baixo. A desconexão entre boas condições de cultivo e preços fracos ilustra uma verdade fundamental do mercado: ofertas futuras abundantes muitas vezes deprimem os valores à vista hoje.
Boom de Produção no Vietname Inunda o Mercado de Robusta
A dominância do Vietname na produção de robusta aumentou a pressão sobre os preços do robusta muito mais do que a produção de arábica enfrenta do Brasil. O Vietname exportou 1,58 milhões de toneladas métricas de café em 2025, um aumento de 17,5% em relação ao ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. Mais ominoso para os níveis de preço, a produção de 2025/26 do Vietname está projetada para subir 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas — um máximo de quatro anos — com a Associação de Café e Cacau do Vietname a sugerir que a produção poderá ser 10% superior à colheita anterior, se o clima colaborar.
A diferença entre as trajetórias de oferta de arábica e robusta é clara. Enquanto a produção de arábica no Brasil enfrenta uma pressão modesta, a produção de robusta no Vietname está a acelerar a quase o dobro da taxa. Isto explica porque o robusta tem sido fortemente penalizado enquanto o arábica se mantém relativamente mais estável. Os traders de robusta enfrentam uma avalanche de grãos vietnamitas a competir por quota de mercado, enquanto a oferta de arábica, embora em aumento, permanece mais equilibrada face à procura.
Inventários Contam uma História de Cautela para Ambas as Variedades
Tanto os inventários de arábica como os de robusta recuperaram após atingirem mínimos históricos, sinalizando que os stocks globais de café estão a estabilizar-se, mesmo que permaneçam historicamente restritos. Os inventários de arábica na ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos em novembro, mas recuperaram para 461.829 sacos até meados de janeiro. De forma semelhante, os inventários de robusta na ICE atingiram o fundo em 4.012 lotes em dezembro, antes de subir para 4.609 lotes no final de janeiro.
Esta recuperação, por modesta que seja, representa uma mudança de mentalidade. Os traders tinham-se posicionado para escassez; a recuperação dos stocks indica que a tensão aguda está a diminuir. No entanto, ao comparar arábica com robusta, a recuperação dos inventários de robusta tem mais peso — o aumento de grãos vietnamitas está a alimentar diretamente a acumulação de stocks na ICE de robusta, enquanto o aumento de arábica é mais gradual e limitado pela oferta.
Ventos Contrários: Quedas nas Exportações Compensam Medos de Oferta
As exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4% em relação ao mês anterior, para 2,86 milhões de sacos, com as exportações de arábica a diminuir 10% em relação ao ano anterior e as remessas de robusta a colapsar 61% em relação ao ano anterior. Esta desaceleração — impulsionada parcialmente por congestionamentos portuários e fatores sazonais — inicialmente parecia apoiar os preços. Contudo, mostrou-se insuficiente para superar o peso das previsões de aumento de produção e da concorrência vietnamita.
Entretanto, as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (outubro a setembro) caíram apenas 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, segundo a Organização Internacional do Café. Este quadro de exportação quase inalterado mascara desequilíbrios severos: as ofertas de arábica enfrentam um aperto à medida que a produção diminui em algumas regiões, enquanto as de robusta estão numa colisão com a procura, impulsionadas pela abundância vietnamita.
Perspetiva de Longo Prazo: Arábica e Robusta a Traçar Caminhos Diferentes
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou um quadro complexo na sua previsão de dezembro. A produção global de café em 2025/26 deverá aumentar 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos, mas a divisão entre arábica e robusta não poderia ser mais diferente. A produção de arábica está prevista diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos.
A produção de arábica no Brasil para 2025/26 deverá diminuir 3,1%, para 63 milhões de sacos, uma contração modesta. Em contrapartida, a produção do Vietname para o mesmo período deverá subir 6,2%, para 30,8 milhões de sacos — um pico de quatro anos. A matemática do mercado é inequívoca: o arábica enfrenta uma escassez estrutural no próximo ano, enquanto o robusta enfrenta uma abundância estrutural. Isto explica porque a divergência de preços entre arábica e robusta provavelmente persistirá, com o robusta a sofrer pressões constantes de baixa e o arábica a manter-se relativamente apoiado apesar da fraqueza de hoje.
Olhando para o futuro, os stocks finais globais de 2025/26 deverão diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, oferecendo algum suporte tanto ao arábica como ao robusta. Contudo, esta redução de reservas não será distribuída de forma uniforme. Os stocks de arábica permanecerão historicamente escassos, fornecendo pisos de preço e suportando rallys. Os stocks de robusta irão aumentar com as ofertas vietnamitas, limitando quaisquer rallys e impondo limites ao potencial de subida dos futuros de robusta. A divergência entre arábica e robusta reflete não um ruído temporário de mercado, mas mudanças estruturais fundamentais na produção e nos fluxos comerciais globais de café que provavelmente irão moldar os mercados de café bem para além do próximo ano.