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Acabei de ver uma história sobre os primeiros mineiros de Bitcoin, bastante interessante. Este programador finlandês chamado Martti Malmi, na Finlândia, entre 2009 e 2010, minerou 55.000 BTC apenas com um portátil; pelos preços actuais, isso daria para mais de 1 bilião de dólares. Mas a história do património líquido de Martti Malmi não é, de todo, uma questão simples de “o que perdeu”, antes revela uma mentalidade muito particular.
Este rapaz já tinha trabalhado em conjunto com o criador do Bitcoin, Satoshi Nakamoto, quando estudava Ciência da Computação, ajudando a lançar a versão do software do Bitcoin para Linux. Mais tarde, também criou o fórum BitcoinTalk, tornando-se um importante contribuinte para a comunidade Bitcoin. O mais interessante é que, em 2012, começou a desfazer-se progressivamente da maior parte das suas moedas; os preços variavam entre 15 e 30 dólares. Com esse dinheiro comprou a sua própria casa, e ainda comentou: “aos 22 anos, comprar uma casa com dinheiro ganho por conta própria é uma grande coisa”.
Acho que isto reflecte a mentalidade que ele tinha na altura — não era para maximizar a riqueza mantendo as moedas, mas sim para resolver necessidades reais da vida, e isso já bastava. Ele próprio também disse que, provavelmente devido ao contexto cultural finlandês e ao idealismo da juventude, nunca pensou em ficar rico de verdade graças ao Bitcoin. Minar moedas era, afinal, um subproduto para manter os nós do Satoshi em funcionamento, para que outras pessoas pudessem ligar-se.
Embora tenha perdido a grande alta posterior, Malmi ainda mantém parte dos seus BTC e continua activo na comunidade Bitcoin. Ele não se arrepende das suas escolhas; pelo contrário, sente orgulho pela sua contribuição para o Bitcoin. Esta história lembra-nos mesmo que muitos dos participantes na fase inicial do Bitcoin não estavam lá à procura de ficar ricos da noite para o dia; estavam a participar com base em acreditar numa ideia técnica.
Comparando com as pessoas que, por terem mantido moedas desde o início, se tornaram super-ricas, a história de Malmi parece ainda mais realista e humana. A escolha dele talvez não tenha sido a de maximizar o património líquido, mas foi a que lhe permitiu viver uma vida mais plena. E é por isso que ele continua ainda hoje a participar activamente na comunidade, em vez de se ter retirado cedo. A história do Bitcoin nunca foi apenas sobre dinheiro — a experiência de Malmi é a melhor prova disso.