Recentemente, tenho pensado numa questão: por que é que somos sempre tão facilmente presos às fraquezas humanas. Na verdade, a psicologia da natureza humana esconde muitas regras interessantes; se conseguires compreendê-las, poderás entender melhor muitas pessoas e situações.



Primeiro, fala-se do psicológico do custo afundado, do qual muitas pessoas à minha volta são vítimas. Algumas sabem que uma relação tem problemas, mas não conseguem deixar ir, não porque amem mais a outra pessoa, mas porque já investiram demasiado. Quanto mais investem, mais relutantes ficam em desistir. Este mesmo psicológico aplica-se também a investimentos e escolhas profissionais: quanto maior a aposta, mais difícil é abandonar, mesmo que se perceba que pode ser um erro.

Vamos agora à Lei de Murphy: quanto mais te preocupas que uma coisa má aconteça, mais facilmente ela acontecerá de verdade. Isto não é uma força mística, mas sim o teu foco de atenção excessivamente concentrado, que te torna especialmente sensível aos sinais relacionados.

A psicologia da natureza humana também tem um conceito muito útil chamado efeito de face. Se tu fazes um pedido grande e és rejeitado, ao fazeres um pedido menor, a outra pessoa geralmente fica constrangida e reluta menos em aceitar. Por trás disto está o desejo de manter a coerência.

Curiosamente, temos a Lei do Contrário: quando não valorizas alguém, essa pessoa valoriza-te mais. E assim que começas a demonstrar interesse de forma proativa, podes ser visto com menos valor. O efeito de curiosidade funciona de modo semelhante: manter um pouco de mistério e distância pode despertar o interesse dos outros. Se estiveres sempre a bajular de forma humilde, só vais atrair repulsa.

O efeito de janela partida é visível na vida quotidiana. Num local limpo, as pessoas hesitam em sujar. Mas assim que aparece o primeiro lixo, muitos seguem o exemplo. Pequenas ações que não são impedidas inicialmente podem criar uma cultura difícil de mudar depois.

O efeito de limiar de entrada também é fundamental: uma pessoa que aceita um pedido pequeno tem mais facilidade em aceitar pedidos maiores. É por isso que as vendas começam sempre com pedidos pequenos.

O efeito da gaiola de pássaros refere-se ao facto de que quanto mais possuímos, menos satisfeitos estamos. Comprar um par de sapatos faz-nos querer uma roupa à combinação. Quanto mais possuímos, mais desejos surgem. Por outro lado, o efeito da fruta proibida é o oposto: quanto mais tentas esconder algo, mais as pessoas ficam curiosas. Por exemplo, quem tenta esconder problemas na linha do cabelo acaba por ser mais notado.

Na psicologia da natureza humana, há também o efeito Rosenthal: se és introvertido, a melhor forma de mudar é rotular-te de extrovertido na primeira apresentação. O comportamento das pessoas é guiado pela consciência; se acreditas que és assim, vais tornar-te realmente.

O efeito Pandora refere-se ao contrarregra: quanto mais te negas a mostrar algo, mais vontade tens de ver. O efeito de Franklin diz que as pessoas que ajudaste podem não retribuir, mas aquelas que te ajudaram antes tendem a ajudar-te de novo.

O efeito do copo é útil em encontros: se pedires ao outro para beber chá com leite, e durante a conversa fores aproximando os copos, se ele não reagir, é sinal de interesse. Se afastar o copo, mostra que está em guarda. O efeito da ponte também é semelhante: levar alguém que gostas a um lugar especial, dizendo que é o teu esconderijo secreto, pode acelerar a ligação emocional.

O efeito de proximidade é muito interessante: numa reunião, quem fala por último costuma ser mais convincente. Isto explica porque os líderes costumam falar por último. O efeito de aprendizagem mostra que aprender algo por tentativa e erro é muito mais eficaz do que apenas estudar.

A Lei do Ponto Final pode ser a mais cruel: uma pessoa que faz 99 boas ações, basta uma má para ser rotulada de má. E vice-versa: 99 más ações e uma boa podem mudar a perceção.

O efeito do hipocampo explica aquela sensação de déjà-vu, que na verdade é o cérebro a recorrer a um filme ou livro que já viu. O efeito da uva azeda revela que quanto mais inseguro és, mais gostas de ver os outros a falhar; quanto mais bajulas os poderosos, mais irritado ficas com os fracos. Pessoas que não conseguem nada lá fora tendem a ser autoritárias em casa.

Estas regras da psicologia da natureza humana na verdade nos dizem para sermos cautelosos com os outros. Não é para desconfiar de todos, mas sim para entender estas fraquezas e regras humanas, assim podemos proteger-nos melhor e ver as pessoas com mais racionalidade.
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