Meio tempo. 2-0. Dallas rugia em vermelho e branco quadriculado.



O meu pai apertou o meu ombro. “Vês? Isto é a Croácia.” 4 milhões de pessoas, mas jogamos como 40 milhões. Modrić aos 39, ainda cobrindo cada relva como se fosse 2018. Kovačić a passar bolas. Estávamos a sonhar novamente. Finais. Glória.

Depois 47’. Bellingham. Depois o chão tremeu. 4-2.

O estádio ficou silencioso, exceto pelas canções inglesas. O meu pai não se mexeu. Não desviou o olhar. Apenas apertou mais forte e sussurrou, “Glave gore.” Cabeças levantadas.

Porque é isso que o tabuleiro de xadrez significa. Já fomos derrubados pelo Brasil, França, Inglaterra. Chorámos após penalties, após prolongamento, após 90 minutos de guerra. Mas a bandeira nunca cai. As canções nunca param.

O placar dizia 4-2. Mas o meu coração? O meu coração dizia: pequena nação, alma gigante. Não vencemos facilmente. Conquistamos cada centímetro. E voltaremos.

Hvala, Vatreni. Por fazerem 4 milhões de pessoas sentirem-se gigantes. Por me ensinarem que o orgulho não precisa de um troféu.
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