Apressa-se a correr para uma listagem nos EUA, mas surgem alegações de que “estaria a perguntar em segredo à Hailos para obter contactos para o ADR”

O principal fabricante de semicondutores da Coreia do Sul, a Samsung Electronics, foi alvo de notícias de que está a investigar internamente opções viáveis para emitir ADR nos EUA (American Depositary Receipts). A Bloomberg, a 14 de julho, noticiou que a Samsung já manteve discussões preliminares com várias instituições de investimento sobre a possibilidade de cotar nos EUA. Em seguida, a Samsung negou rapidamente publicamente que “não considerou emitir ADR”, mas, segundo informações de fontes da imprensa sul-coreana e do setor de semicondutores, a administração já terá dado instruções para avaliar a relação custos-benefícios, chegando mesmo a enviar pessoas para “pedir dicas” à adversária SK Hynix, que acabou de subir ao Nasdaq com 26,5 mil milhões de dólares.

(Antecedentes: ADR da SK Hynix disparou 13% no primeiro dia, e a bolsa coreana afundou 15%! A volatilidade vai continuar a aumentar?)
(Extra de contexto: o maior caso de listagem de ADR da história! A SK Hynix pretende captar 29,4 mil milhões de dólares para se listar nos EUA, com forte expansão de produção de chips de IA da NVIDIA)

Resumo dos pontos-chave

  • A Bloomberg, em 7/14, reporta que a Samsung Electronics explora a emissão de ADR nos EUA e já iniciou discussões preliminares com várias instituições de investimento
  • A Samsung negou rapidamente que “não considera emitir ADR”, mas a Bloter, da Coreia, indica que a gestão já ordenou uma avaliação interna da relação custos-benefícios
  • O rastilho foi o facto de a SK Hynix ter fixado o preço do ADR em 149 dólares por ação, para captar cerca de 26,5 mil milhões de dólares, criando o maior registo de listagem nos EUA para uma empresa estrangeira

Numa reportagem exclusiva de 7 de julho, a Bloomberg revelou que o gigante sul-coreano dos semicondutores, a Samsung Electronics, está numa fase inicial de exploração da emissão de ADR (American Depositary Receipts) e já iniciou discussões preliminares com várias instituições de investimento, avaliando a possibilidade de se cotar nos EUA. Assim que a informação surgiu, a Samsung cortou o assunto de imediato, rejeitando qualquer ligação:

A Samsung Electronics não está a estudar a possibilidade de emitir American Depositary Receipts.

A negação, em uma frase, foi clara. Mas o mercado não levou a sério essa negação, e há uma razão. De acordo com a Bloter, citando fontes, a Samsung já estudava internamente várias opções para emitir ADR e já tinha começado a avaliar todo o processo operacional. Outra fonte do setor de semicondutores, a 15 de julho, acrescentou que, recentemente, a administração já terá mandado os departamentos relevantes estudarem se seria possível desenhar uma estrutura viável para a Samsung emitir ADR, revendo de ponta a ponta os potenciais custos, benefícios e os procedimentos necessários.

O mais intrigante é o que vem a seguir. As fontes disseram que pessoal ligado à Samsung já abordou proativamente o adversário SK Hynix, que concluiu recentemente a emissão de ADR e acabou de ser listado no Nasdaq, para “se inteirar”. Negar para fora e, ao mesmo tempo, enviar pessoas para perguntar ao adversário como fez — a discrepância entre “não queremos” e “mas fazemos com sinceridade” é precisamente o tipo de contraste que faz o mercado acreditar mais na versão do setor do que nos anúncios oficiais.

A ficha de resultados da SK Hynix é demasiado tentadora

Foi a SK Hynix que ateou esta faísca. Esta empresa de memória para IA fixou o preço dos seus ADR em 149 dólares por ação em julho, conseguindo captar cerca de 26,5 mil milhões de dólares e reescrever o recorde de maior IPO de uma empresa estrangeira na história dos EUA. No primeiro dia de cotação, o ADR chegou a disparar 13%, com uma procura que excedeu a oferta de forma sem precedentes. A Samsung, que alguns meses antes tinha avaliado, mas decidiu não avançar com os ADR, ao ver o adversário entregar esta ficha de resultados, voltou a ter novas ideias.

Samsung e SK Hynix, na verdade, não são iguais

Ainda assim, as fontes do mercado alertam que a situação da Samsung e da SK Hynix não é a mesma. A ida da SK Hynix aos EUA tem um objetivo muito claro: angariar grandes quantias de dinheiro para expandir a produção de memória de IA, aumentando também a base de investidores globais. A Samsung, por sua vez, tem uma enorme posição de caixa e, a curto prazo, não enfrenta uma pressão urgente de financiamento. O que complica mais é a estrutura do negócio: a Samsung abrange semicondutores, smartphones, televisões, eletrodomésticos e ecrãs. O facto de se cotar nos EUA conseguir gerar um efeito claro de “reavaliação de valuation”, à semelhança de uma empresa apenas de memória, é algo que o mercado coloca em dúvida.

Por isso, a negação desta vez da Samsung pode não ser apenas conversa para inglês; mas, desta vez, a versão do setor soa mais credível do que o anúncio oficial. Se vai acontecer ou quando acontecer, ainda não há resposta. Mas a postura de negação em público e avaliação em privado, por si só, já indica uma coisa: a ficha de resultados de 26,5 mil milhões de dólares da SK Hynix está a forçar o setor tecnológico sul-coreano a reconsiderar se o caminho por Wall Street deve ou não ser seguido. A Redação do Dongqu está a acompanhar o assunto.

Perguntas frequentes

A Samsung Electronics vai mesmo emitir ADR nos Estados Unidos?

A Samsung oficial negou estar a investigar a emissão de ADR, mas a Bloomberg e a imprensa Bloter reportam que a gestão já ordenou uma avaliação interna da relação custos-benefícios e da estrutura viável para uma listagem nos EUA. Também teriam pedido conselhos à SK Hynix, que acabou de ser listada no Nasdaq. Neste momento, continua a ser uma exploração inicial e não há garantia de que avançará finalmente.

Quanto dinheiro angariou a SK Hynix ao emitir ADR nos EUA?

A SK Hynix fixou o preço dos ADR em 149 dólares por ação em julho, tendo angariado cerca de 26,5 mil milhões de dólares. Isso tornou-se o maior caso de IPO de uma empresa estrangeira na história dos EUA. No primeiro dia de listagem, chegou a disparar 13%, e foi isso que esteve na origem de a Samsung voltar a reavaliar a sua via para uma listagem nos EUA.

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