Despesa de capacidade de computação da OpenAI dispara para 750 mil milhões de dólares até 2030, mas as receitas ficam presas nos 25 mil milhões

A OpenAI aumentou o seu plano de despesas com capacidade de computação até 2030 para cerca de 750 mil milhões de dólares, mais cerca de 150 mil milhões de dólares do que a meta definida em Fevereiro deste ano. Parte deste montante vai para os contratos de cloud da Oracle no valor de 300 mil milhões de dólares, e parte é investida num centro de dados próprio de 20 mil milhões de dólares, o Project Camellia.
(Antecedentes: o contrato de 300 mil milhões de dólares entre a Oracle e a OpenAI — por que soou um alarme sobre a bolha de IA?)
(Informação de contexto: gastar dinheiro para comprar crescimento! Documentos vazados da OpenAI revelam “uma grande perda operacional de 20,9 mil milhões de dólares”, com expectativa de rentabilidade apenas em 2030)

Índice

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  • O que é que os 750 mil milhões compram
  • É possível pagar?
  • Quem fica com a conta final

A capacidade de computação é a verdadeira moeda desta corrida armamentista em IA. Segundo reportes da imprensa estrangeira, a OpenAI elevou o plano de despesas com cloud e computação até 2030, saindo da meta definida em Fevereiro deste ano para cerca de 750 mil milhões de dólares, ou seja, mais cerca de 150 mil milhões de dólares do que os anteriores cerca de 600 mil milhões, o que representa um aumento de cerca de 25%. A razão é direta: assinar novos contratos com fornecedores de cloud para “trancar” a capacidade de computação, para que seja possível treinar e operar a próxima geração de modelos ainda maiores.

O que é que os 750 mil milhões compram

Para onde vai, na prática, este dinheiro? A lista de fornecedores já foi divulgada: Microsoft, Oracle, Amazon Web Services (AWS) e CoreWeave, todos receberam contratos. O maior item é o contrato de cloud da Oracle, no valor de cerca de 300 mil milhões de dólares, com prazo de cinco anos, contando a partir de 2027.

O CEO da OpenAI, Greg Brockman, revelou em depoimento judicial em Maio deste ano que, só para 2026, a empresa prevê gastar cerca de 50 mil milhões de dólares com capacidade de computação. Convertendo, isso equivale a mais de 4 mil milhões de dólares por mês.

Além de assinar contratos com fornecedores externos de cloud, a OpenAI também está a construir por conta própria. O Project Camellia, anunciado esta quarta-feira (7/22), é um centro de dados construído internamente com um investimento de 20 mil milhões de dólares, localizado no Effingham County, na Geórgia (noroeste de Savannah), ocupando 1.400 acres. A energia será adquirida à Georgia Power, com pelo menos 3,2 GW (gigawatts), prevendo-se que entre em produção faseadamente entre 2028 e 2032. A construção é da responsabilidade de Brett Mayo, que anteriormente também desempenhou um papel semelhante no centro de dados Colossus da xAI em Memphis.

É possível pagar?

O CFO, Sarah Friar, avisou discretamente a liderança: se o crescimento das receitas não acelerar, a OpenAI poderá não ter capacidade para cumprir no futuro estes contratos de capacidade de computação e de centros de dados.

Actualmente, as receitas anuais recorrentes (ARR) da empresa passaram de 2 mil milhões de dólares em 2023 para mais de 20 mil milhões de dólares até ao final de 2025. Em Fevereiro deste ano chegaram a cerca de 25 mil milhões de dólares (estimação da Sacra), mas de Fevereiro a Abril praticamente não houve novo crescimento.

Um relatório do Wall Street Journal de 28 de Abril também referiu que, na altura, a OpenAI já tinha falhado as metas internas de utilizadores activos semanais e de receitas. Colocando os dois números lado a lado: cerca de 25 mil milhões de dólares de ARR anual e 750 mil milhões de dólares de compromissos com capacidade de computação — a diferença chega a quase 30 vezes. É também por isso que Friar já tinha lançado a ideia de que o governo forneceria um “backstop” (garantia de resguardo) para financiar chips.

No entanto, a proposta foi apresentada e já suscitou críticas públicas imediatas, já que equivale a pedir aos contribuintes que assumam a aposta da capacidade de computação de uma empresa privada.

Quem fica com a conta final

A OpenAI não é a única a aumentar os seus gastos de capital. As previsões da AWS para o próximo ano apontam para cerca de 200 mil milhões de dólares em despesas de capital, um salto acentuado face aos 132 mil milhões deste ano; a Google também elevou a sua orientação para despesas de capital em 2026 para 175 a 185 mil milhões de dólares; e a Microsoft, só num trimestre, já atingiu 37,5 mil milhões de dólares em despesas de capital. A lógica é clara: quem primeiro “tranca” recursos de computação, primeiro garante a entrada para treinar a próxima geração de modelos; quem ficar para trás pode nem sequer conseguir entrar na mesa.

O problema é: quem acaba por pagar por essa entrada? Os fornecedores de cloud garantem um fluxo de caixa estável através de contratos de longo prazo; a OpenAI sustenta a escala através de financiamento e compromissos optimistas nos depoimentos; os investidores sustentam a avaliação com a narrativa. Cada uma das três partes tem razões para acreditar que a outra começará a pagar primeiro, mas ao abrir os livros, permanece sempre o mesmo nome.

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