Notícias do Gate News: as cotações do petróleo internacional têm subido em força recentemente. O crude WTI ultrapassou o patamar dos 105 USD, atingindo máximas em cerca de três anos. Este nível de preços decisivo tem suscitado preocupações no mercado quanto à evolução do Bitcoin; alguns investidores começaram a reavaliar a possível relação entre os preços do petróleo e o mercado cripto.
Dados históricos mostram que a subida do preço do petróleo para além dos 105 USD se sobrepôs por diversas vezes a fases de recuo do Bitcoin. Em junho de 2014, os conflitos geopolíticos no Médio Oriente impulsionaram o petróleo até esse nível; depois disso, o Bitcoin caiu cerca de 21% no espaço de cerca de 10 semanas e passou por um longo período de estagnação. Em março de 2022, durante a escalada do conflito Rússia-Ucrânia, o petróleo voltou a ficar acima dos 105 USD; o Bitcoin recuou cerca de 14% numa semana, mas depois recuperou rapidamente a perda.
No mesmo ano, em maio, a UE propôs um embargo ao petróleo russo. O preço do petróleo manteve-se em níveis elevados, enquanto o Bitcoin desvalorizou cerca de 27% no curto prazo e entrou numa fase de bear market que durou vários meses. Nesta etapa, as mudanças na estrutura do mercado tornaram-se ainda mais complexas, o que também aumentou a sensibilidade dos investidores a fatores macroeconómicos.
No entanto, analistas apontam que atribuir a queda do Bitcoin de forma simples à ultrapassagem de um determinado limiar pelo preço do petróleo tem limitações evidentes. Há apenas alguns poucos exemplos no histórico, pelo que o significado estatístico é limitado. Além disso, por trás de cada ciclo de queda, muitas vezes se acumulam outros acontecimentos-chave; por exemplo, o caso Mt. Gox em 2014 e o colapso do ecossistema Terra-Luna em 2022. Estes choques sistémicos tendem a ter um impacto mais direto no mercado.
No contexto atual, as declarações do presidente dos EUA, Trump, sobre a política energética no Médio Oriente, também impulsionaram, até certo ponto, a volatilidade do preço do petróleo e afetaram a precificação de ativos de risco a nível global. Contudo, do ponto de vista da lógica dos ativos, a correlação entre o Bitcoin e as matérias-primas tradicionais continua em mudança dinâmica.
No curto prazo, a subida do preço do petróleo poderá pressionar indiretamente os ativos de risco através das expectativas de inflação e do aperto de liquidez, mas se isso desencadeará uma nova rodada de ajustamentos profundos no Bitcoin ainda precisa de ser avaliado de forma integrada, tendo em conta os dados on-chain, as correntes de fundos e o contexto macroeconómico. (Cointelegraph)