Uma semana na Coreia do Sul com 3 medidas que levantam dúvidas: venda de Bitcoin, exclusão de stablecoins, restrição à participação acionária nas exchanges

Política de Criptomoedas na Coreia do Sul

A Coreia do Sul lançou três medidas relacionadas com criptomoedas numa semana, o que suscitou dúvidas no setor quanto à direção da regulamentação. Estas três medidas são: a venda de 320,88 bitcoins recuperados pelo Procurador do Distrito de Gwangju; a Comissão de Serviços Financeiros (FSC) planeja excluir USDT e USDC das novas diretrizes de investimento empresarial; e o Partido Democrata e a FSC chegaram a um acordo para estabelecer um limite de 34% de participação acionária para os principais acionistas das exchanges.

Análise detalhada das três medidas

Medida 1: Venda de 320 bitcoins recuperados

O Procurador do Distrito de Gwangju anunciou em 10 de março que, ao longo de 11 dias, de 24 de fevereiro a 6 de março, vendeu em lotes 320,88 bitcoins, arrecadando aproximadamente 31,59 mil milhões de won sul-coreanos (cerca de 21,6 milhões de dólares), que foram depositados no tesouro nacional. Estes bitcoins provinham de um caso de confisco de uma mãe e filha condenadas por envolvimento em jogos de azar ilegais na internet. Quando a transferência ocorreu em agosto de 2025, os funcionários acidentalmente acessaram um site de phishing, levando ao roubo dos fundos. Em janeiro de 2026, após coordenação com a exchange, os fundos foram congelados e recuperados com sucesso.

O que gerou preocupação no mercado não foi a venda em si — que é uma prática padrão de liquidação de ativos confiscados — mas sim a decisão da Coreia do Sul de liquidar imediatamente, ao contrário da abordagem do governo atual nos EUA, que mantém bitcoins como ativos de propriedade estatal de longo prazo.

Medida 2: Exclusão de stablecoins das diretrizes de investimento empresarial

A FSC está elaborando orientações que permitiriam às empresas listadas investir em ativos digitais, mas espera-se que stablecoins como USDT e USDC sejam excluídas. A razão é que, de acordo com a Lei de Câmbio da Coreia, stablecoins ainda não são reconhecidas como instrumentos de pagamento legalmente válidos para transações externas. Permitir que empresas mantenham stablecoins poderia implicitamente reconhecer seu uso como meio de pagamento, o que a regulamentação prefere evitar até que a legislação seja revisada. Uma proposta de emenda legislativa que reconhece stablecoins como instrumentos de pagamento foi apresentada ao parlamento em outubro de 2025 e ainda está em discussão. Algumas exportadoras listadas fizeram lobby para incluir USDC, argumentando que ela oferece proteção cambial em transações internacionais.

Medida 3: Limite de 34% de participação acionária dos principais acionistas nas exchanges

O grupo de trabalho de ativos digitais do Partido Democrata e a FSC chegaram a um acordo para estabelecer um limite de 34% de participação acionária para os principais acionistas das exchanges, valor que corresponde ao limiar de bloqueio de participação minoritária de 33,4% previsto na legislação comercial, e que é superior aos 15% a 20% discutidos anteriormente. No entanto, durante uma audiência no parlamento em 9 de março, deputados da oposição apontaram que nem nos EUA nem na Europa há precedentes semelhantes; o Serviço de Pesquisa do Parlamento alertou para possíveis conflitos constitucionais entre proteção de propriedade e legislação de rastreabilidade; e acadêmicos expressaram preocupação com o efeito de “observador externo”, pois uma estrutura de ações excessivamente dispersa pode dificultar decisões claras em momentos de crise. O teste mais imediato será a fusão pendente entre a operadora da Upbit, Dunamu, e a Naver Financial. Segundo relatos, as autoridades regulatórias consideram separar o “direito de propriedade” do fundador da exchange do “direito de parceiro” da Naver, e as negociações políticas foram adiadas de março para abril.

Efeito cumulativo de sinais: como o mercado interpreta esta semana

Cada medida, isoladamente, tem uma justificativa razoável: a liquidação de ativos confiscados é uma prática padrão; a isenção de stablecoins reflete uma lacuna legal, não uma mudança de posição; e o limite de participação é visto como uma medida de proteção ao investidor para evitar o colapso de exchanges. No entanto, o mercado não interpreta os sinais de forma isolada. Uma série de ações acumuladas — venda de bitcoins, exclusão de stablecoins, limitação de concentração acionária — muitas vezes geram uma interpretação de mercado que excede a soma das partes, especialmente numa fase sensível em que os detalhes da Lei de Ativos Digitais ainda estão em negociação.

Perguntas frequentes

Por que o Ministério Público da Coreia do Sul optou por vender os bitcoins recuperados em vez de mantê-los?
A prática atual na Coreia é liquidar ativos confiscados em dinheiro e depositá-los no tesouro, não sendo uma postura contrária à estratégia dos EUA de manter reservas de bitcoins como ativos de longo prazo. A venda pelo Procurador de Gwangju foi uma execução de confisco em um caso criminal específico, não uma declaração de política oficial.

Por que a Coreia exclui USDT e USDC das diretrizes de investimento empresarial?
A decisão da FSC reflete uma questão legal, não uma oposição às stablecoins: a Lei de Câmbio da Coreia ainda não reconhece stablecoins como instrumentos de pagamento legal. Permitir que empresas mantenham stablecoins poderia criar uma situação legal ambígua, e as autoridades preferem aguardar a conclusão de reformas legislativas. Essa isenção pode ser temporária, dependendo do progresso das propostas legislativas no parlamento.

Qual é a principal controvérsia sobre o limite de 34% de participação acionária nas exchanges?
A proposta enfrenta questionamentos constitucionais. O Serviço de Pesquisa do Parlamento apontou possíveis conflitos com a legislação de proteção de propriedade e de rastreabilidade; acadêmicos alertam que uma estrutura de ações excessivamente dispersa pode gerar o efeito de “espectador externo”, dificultando decisões em momentos de crise. As negociações finais ainda estão em andamento, tendo sido adiadas de março para abril.

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