O CEO da Electronic Transactions Association (ETA), Jason Oxman, que representa gigantes de pagamentos eletrônicos como Visa, MasterCard, Amazon e PayPal, disse em entrevista ao CoinDesk que a tradicional indústria de pagamentos eletrônicos está vendo o potencial de disrupção do Bitcoin e que haverá cada vez mais colaboração com startups. Oxman afirmou que o papel da ETA é promover transações eletrônicas, que serão adotadas da forma que clientes ou comerciantes considerarem mais adequada.
Em agosto de 2014, a ETA aceitou oficialmente a BitPay como membro, fazendo dela a primeira empresa de moeda virtual a se juntar à associação. A BitPay é uma provedora de soluções de pagamentos em Bitcoin sediada em Atlanta, oferecendo serviços de processamento para que comerciantes aceitem pagamentos em Bitcoin. A ETA deixou claro, em comunicado relacionado, que “espera que haja mais colaborações desse tipo no futuro”.
Usando a adesão da BitPay como exemplo, Oxman ressaltou que a ETA “não vai ignorar a inovação” e disse que a associação está construindo uma imagem de “uma entidade disposta a colaborar com novas tecnologias e startups”. Ele acrescentou que a escolha dos parceiros depende principalmente da demanda do mercado, e não de preferências técnicas.
Em entrevista ao CoinDesk, Oxman apontou que a Fundação Bitcoin teve um papel fundamental em fazer com que os membros da ETA conhecessem as vantagens do Bitcoin. Ele mencionou especialmente que, em 2013, o então consultor jurídico geral da Fundação Bitcoin, Patrick Murck, fez um discurso em um evento da ETA que levou com sucesso o argumento comercial do Bitcoin para o foco da associação, fazendo com que os membros começassem a ver o Bitcoin como “um desenvolvimento interessante na indústria”.
Essa mudança de percepção deu o contexto para a adesão da BitPay em 2014: quando, dentro da associação, passou a haver uma visão do Bitcoin do ponto de vista de negócios, as condições para que mais startups de Bitcoin entrassem na ETA ficaram mais estabelecidas.
Oxman enfatizou que a ETA não favorece o Bitcoin. Seu escopo de apoio abrange todas as formas de transações eletrônicas, e a associação também não adota postura desfavorável a outras tecnologias. Ele observou que a ecologia de concorrência da indústria de pagamentos atualmente está formando um cenário diversificado:
Pagamentos tradicionais: Visa, MasterCard, PayPal e outros já estabeleceram uma ampla rede global de transações
Pagamentos com Bitcoin: startups como BitPay e Coinbase Commerce oferecem liquidação imediata e pagamentos internacionais sem atrito
Modelos híbridos: cada vez mais processadores de pagamento passam a aceitar moeda fiduciária e criptomoedas ao mesmo tempo
Oxman disse que, essencialmente, o que a indústria da ETA faz é facilitar transações eletrônicas, “e que essas transações eletrônicas adotem a forma que clientes ou comerciantes considerarem mais adequada”.
Oxman comentou a proposta de BitLicense da Autoridade de Supervisão Financeira de Nova York (NYDFS), afirmando que o núcleo regulatório de qualquer nova tecnologia de pagamento deve ser a proteção ao consumidor, mas que “não se deve aplicar regras por reflexo apenas por ser algo novo”.
Ele sugeriu que os reguladores deveriam aprofundar o entendimento de três aspectos: o próprio sistema do Bitcoin, como a blockchain funciona e como processadores de Bitcoin protegem consumidores e comerciantes. Essa posição indica que Oxman acredita que a regulação deve se basear em uma compreensão completa dos mecanismos tecnológicos subjacentes, e não em simplesmente aplicar diretamente ao pagamento com criptomoedas o arcabouço de regras financeiras existente.
ETA é a Electronic Transactions Association, representando grandes nomes do setor de pagamentos eletrônicos, incluindo Visa, MasterCard, Amazon e PayPal, sendo uma das principais organizações setoriais da indústria tradicional de pagamentos eletrônicos.
A BitPay entrou na ETA em agosto de 2014, tornando-se a primeira empresa de pagamentos em Bitcoin a se juntar formalmente à associação. A ETA afirmou no comunicado que “espera que haja mais colaborações desse tipo no futuro”, sinalizando que a indústria tradicional de pagamentos está oficialmente abrindo espaço para empresas de pagamentos em Bitcoin.
Oxman disse que a autoridade regulatória, ao criar leis relacionadas ao Bitcoin, deve entender profundamente o sistema do Bitcoin, como a blockchain opera e como processadores de Bitcoin protegem consumidores e comerciantes, recomendando que “não se aplique regras por reflexo apenas por ser algo novo”; esse posicionamento é um apelo para que os reguladores usem o entendimento técnico como base, em vez de apenas reutilizar diretamente o arcabouço existente de supervisão financeira.
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