O artista filipino Elmer Saflor entrou com uma ação por violação de direitos autorais em 1º de julho no Tribunal Distrital Central da Califórnia contra a Memes Apps, a empresa que opera o gerador de anúncios de IA Memes.ai, alegando que a plataforma vendeu acesso à sua história em quadrinhos “Running Away Balloon” como modelo de publicidade. A queixa afirma que a Memes Apps ofereceu a tira de dois quadros, que Saflor registrou em 2024, a assinantes pagantes sem autorização. Diferentemente de litígios em andamento contra a Stability AI e a Midjourney, que se concentram no uso de dados de treinamento, este caso foca na reprodução direta e na exibição pública da obra na biblioteca de modelos da plataforma.
Saflor alega violação direta via biblioteca de modelos
A ação alega que a Memes Apps ofereceu “Running Away Balloon” a assinantes pagantes como um modelo pesquisável em sua biblioteca. A história em quadrinhos original, publicada no Facebook em abril de 2017, mostra uma figura humana cinza tentando alcançar um balão rotulado “opportunities”, enquanto é contida por uma personagem rosa marcada “shyness”. De acordo com a queixa, a obra ficou na biblioteca de modelos com o próprio nome, acessível a qualquer assinante.
Saflor pede violação direta, contributiva e indireta (vicarious) no processo. A queixa cita materiais de marketing da Memes.ai que dizem aos clientes que anúncios gerados “são seus para usar em seu negócio”, inclusive em publicidade paga. A ação caracteriza a violação como intencional, observando que a empresa incentiva os clientes a “dispensarem sua agência de publicidade” — agências que licenciariam o conteúdo que usam — enquanto a empresa afirma direitos autorais no próprio site.
Saflor busca uma injunção permanente, prestação de contas dos lucros e restituição (disgorgement), além de indenizações legais limitadas a US$ 150.000 por obra por violação intencional sob o Copyright Act. O artista disse à Ars Technica que seu principal objetivo é impulsionar a produção de provas e levantar “questões mais amplas sobre como plataformas baseadas em IA usam o trabalho de criadores”.
Memes.ai opera modelo de assinatura para publicidade de marcas
A Memes.ai se vende para marcas, agências e profissionais de marketing com planos de assinatura de US$ 40 a US$ 199 por mês. Segundo a queixa, a plataforma oferece cotas de até 1.000 anúncios de memes, dependendo da faixa de assinatura.
Especialistas em direito citam precedente “Success Kid” de 2024
O estudioso de direito da internet Eric Goldman disse à Ars Technica que uma decisão contra a Memes Apps poderia alcançar todos os geradores de memes. Um tribunal federal de apelações decidiu em 2024 que a campanha de Steve King infringiu o meme “Success Kid” ao usá-lo em publicações de arrecadação de fundos. Goldman interpretou essa decisão como deixando o uso de memes em anúncios sem proteção.
No processo atual, Saflor mira o fornecedor em vez do anunciante. Goldman argumentou que essa abordagem poderia criar “uma série inteira de outros dilemas jurídicos”.
FAQ
O que Elmer Saflor alegou em sua ação contra a Memes Apps?
Elmer Saflor alegou que a Memes Apps vendeu acesso à sua história em quadrinhos “Running Away Balloon” como modelo de publicidade para assinantes pagantes sem autorização. A queixa protocolada em 1º de julho no Tribunal Distrital Central da Califórnia afirma violação direta, contributiva e indireta (vicarious) de direitos autorais.
Como esta ação difere de casos contra a Stability AI e a Midjourney?
Diferentemente do litígio envolvendo a Stability AI e a Midjourney, que se concentra em saber se ingerir obras para treinar modelos de IA constitui uso justo, a ação de Saflor alega reprodução comum e exibição pública. A queixa afirma que a obra ficou na biblioteca de modelos da Memes.ai sob seu próprio nome, pesquisável por qualquer assinante.
Que precedente jurídico especialistas citaram sobre este caso?
O estudioso de direito da internet Eric Goldman citou uma decisão de 2024 de um tribunal federal de apelações que considerou que a campanha de Steve King infringiu o meme “Success Kid” ao usá-lo em publicações de arrecadação de fundos. Goldman afirmou que essa decisão deixou o uso de memes em anúncios sem proteção e sugeriu que uma decisão contra a Memes Apps poderia impactar todos os geradores de memes.