A semana começou com Bitcoin enfrentando um cenário complexo: o preço oscila próximo aos US$ 87.700, longe da resistência psicológica dos US$ 90 mil que segue dominando o livro de ordens. A redução na taxa de hash – queda de 4% segundo relatório da VanEck, a mais acentuada desde meados de 2024 – revela um pano de fundo fundamental bem mais preocupante que as flutuações diárias de preço.
A capitulação dos mineradores e o desafio energético
O movimento mais disruptivo veio de Xinjiang. Aproximadamente 400 mil máquinas de mineração foram desligadas em apenas 24 horas, removendo 1,3 GW de capacidade produtiva da rede. A razão: realocação de energia para centros de dados de inteligência artificial, setor que atualmente oferece rentabilidade superior à mineração de Bitcoin.
Esse cenário ilustra uma realidade incômoda para o setor cripto: a competição por recursos físicos (energia) e a viabilidade econômica da atividade em diferentes regiões. Matthew Sigel e Patrick Bush da Bloomberg Intelligence estimam que até 10% da taxa de hash global pode ser perdida permanentemente neste ciclo.
Para operadores que usam o modelo Bitmain S19 XP, o cenário ficou mais severo. O custo de equilíbrio da eletricidade caiu de US$ 0,12 para US$ 0,077 por kWh em um ano – retração de 36%. Máquinas menos eficientes simplesmente não suportam essa compressão de margens.
A volatilidade realizada de 30 dias ultrapassou 45%, patamar não registrado desde abril de 2025. A combinação de oscilação extrema e quedas nas receitas por exahash força operadores marginais a desligarem equipamentos para evitar prejuízos operacionais imediatos. A VanEck destaca que esse processo de capitulação – por paradoxal que pareça – tende a aliviar a pressão de venda estrutural no médio prazo, ao eliminar os participantes menos resilientes.
A dinâmica técnica e o impasse dos US$ 90 mil
No gráfico de quatro horas, o Bitcoin permanece abaixo das médias móveis simples e exponenciais de 200 períodos, que atuam como resistência dinâmica. Cada tentativa de rompimento dos US$ 90 mil vem acompanhada por explosões de volume vendedor, reforçando o comportamento defensivo.
Posições vendidas em Bitcoin, Ether e Solana somam cerca de US$ 250 milhões segundo dados recentes. Embora muitos analistas interpretem isso como proteção contra correções adicionais – e não necessariamente aposta direcional agressiva – o impacto amplifica-se em ambiente de liquidez reduzida.
A profundidade dos livros de ordem diminuiu sensivelmente. Com muitos operadores reduzindo exposição antes do encerramento do ano para preservar ganhos, o mercado tornou-se mais sensível a operações de menor porte, amplificando a volatilidade de curto prazo.
Divergências e sinais construtivos
Apesar da fraqueza no preço à vista, indicadores começam a apontar enfraquecimento da pressão vendedora. No gráfico de três dias, o Índice de Força Relativa (RSI) forma mínimas progressivamente mais altas enquanto o preço marca mínimas mais baixas – configuração clássica de divergência altista.
Historicamente, divergências desse tipo em ciclos anteriores antecederam movimentos de relevância. Não funcionam como gatilhos isolados, mas indicam compressão técnica e aumento da probabilidade de reversão caso fatores de confirmação surjam.
O contexto macroeconômico e o fluxo de capital
Um fenômeno chama atenção: enquanto ouro e prata renovam máximas históricas em meio a incertezas macroeconômicas, Bitcoin não acompanha o mesmo fluxo defensivo de capital. O par BTC/XAU aponta perda relativa de valor do criptoativo, sugerindo possível compressão técnica adicional.
A QCP Capital ressalta que a liquidez tende a permanecer reduzida durante a semana de Natal, o que pode amplificar tanto movimentos de continuação quanto reações abruptas a novos dados econômicos.
Apoio estatal e o futuro da mineração
Apesar das dificuldades estruturais, a VanEck estima que ao menos 13 países participam da mineração de Bitcoin com algum grau de apoio estatal, visando soberania energética ou monetária. Essa reorganização tende a concentrar operações em atores com acesso a energia mais barata e infraestrutura superior, elevando a barreira de entrada do setor.
Discussões públicas sobre criptomoedas e seus usos têm ganhado tração, com figuras como Elon Musk ocasionalmente comentando sobre o papel das criptomoedas na economia digital. Essas narrativas ajudam a moldar a percepção institucional sobre o ecossistema cripto de longo prazo.
O que esperar
Historicamente, quedas na taxa de hash foram seguidas por retornos positivos do Bitcoin em 65% dos casos após 90 dias. Em períodos de contração da taxa de hash ao longo de janelas de 90 dias, o retorno médio em seis meses alcançou 72%, sugerindo que capitulação de mineradores costuma coincidir com exaustão da pressão vendedora.
O mercado aguarda agora uma entrada mais consistente de capital comprador. A recuperação das médias móveis de 200 períodos é considerada condição necessária para o restabelecimento de uma estrutura de alta consistente. Até lá, Bitcoin permanece em consolidação lateral, testando zonas inferiores em busca de demanda suficiente para absorver a oferta em aberto.
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Bitcoin preso em US$ 90 mil enquanto pressão de mineradores reduz taxa de hash; Elon Musk e o futuro das criptomoedas
A semana começou com Bitcoin enfrentando um cenário complexo: o preço oscila próximo aos US$ 87.700, longe da resistência psicológica dos US$ 90 mil que segue dominando o livro de ordens. A redução na taxa de hash – queda de 4% segundo relatório da VanEck, a mais acentuada desde meados de 2024 – revela um pano de fundo fundamental bem mais preocupante que as flutuações diárias de preço.
A capitulação dos mineradores e o desafio energético
O movimento mais disruptivo veio de Xinjiang. Aproximadamente 400 mil máquinas de mineração foram desligadas em apenas 24 horas, removendo 1,3 GW de capacidade produtiva da rede. A razão: realocação de energia para centros de dados de inteligência artificial, setor que atualmente oferece rentabilidade superior à mineração de Bitcoin.
Esse cenário ilustra uma realidade incômoda para o setor cripto: a competição por recursos físicos (energia) e a viabilidade econômica da atividade em diferentes regiões. Matthew Sigel e Patrick Bush da Bloomberg Intelligence estimam que até 10% da taxa de hash global pode ser perdida permanentemente neste ciclo.
Para operadores que usam o modelo Bitmain S19 XP, o cenário ficou mais severo. O custo de equilíbrio da eletricidade caiu de US$ 0,12 para US$ 0,077 por kWh em um ano – retração de 36%. Máquinas menos eficientes simplesmente não suportam essa compressão de margens.
A volatilidade realizada de 30 dias ultrapassou 45%, patamar não registrado desde abril de 2025. A combinação de oscilação extrema e quedas nas receitas por exahash força operadores marginais a desligarem equipamentos para evitar prejuízos operacionais imediatos. A VanEck destaca que esse processo de capitulação – por paradoxal que pareça – tende a aliviar a pressão de venda estrutural no médio prazo, ao eliminar os participantes menos resilientes.
A dinâmica técnica e o impasse dos US$ 90 mil
No gráfico de quatro horas, o Bitcoin permanece abaixo das médias móveis simples e exponenciais de 200 períodos, que atuam como resistência dinâmica. Cada tentativa de rompimento dos US$ 90 mil vem acompanhada por explosões de volume vendedor, reforçando o comportamento defensivo.
Posições vendidas em Bitcoin, Ether e Solana somam cerca de US$ 250 milhões segundo dados recentes. Embora muitos analistas interpretem isso como proteção contra correções adicionais – e não necessariamente aposta direcional agressiva – o impacto amplifica-se em ambiente de liquidez reduzida.
A profundidade dos livros de ordem diminuiu sensivelmente. Com muitos operadores reduzindo exposição antes do encerramento do ano para preservar ganhos, o mercado tornou-se mais sensível a operações de menor porte, amplificando a volatilidade de curto prazo.
Divergências e sinais construtivos
Apesar da fraqueza no preço à vista, indicadores começam a apontar enfraquecimento da pressão vendedora. No gráfico de três dias, o Índice de Força Relativa (RSI) forma mínimas progressivamente mais altas enquanto o preço marca mínimas mais baixas – configuração clássica de divergência altista.
Historicamente, divergências desse tipo em ciclos anteriores antecederam movimentos de relevância. Não funcionam como gatilhos isolados, mas indicam compressão técnica e aumento da probabilidade de reversão caso fatores de confirmação surjam.
O contexto macroeconômico e o fluxo de capital
Um fenômeno chama atenção: enquanto ouro e prata renovam máximas históricas em meio a incertezas macroeconômicas, Bitcoin não acompanha o mesmo fluxo defensivo de capital. O par BTC/XAU aponta perda relativa de valor do criptoativo, sugerindo possível compressão técnica adicional.
A QCP Capital ressalta que a liquidez tende a permanecer reduzida durante a semana de Natal, o que pode amplificar tanto movimentos de continuação quanto reações abruptas a novos dados econômicos.
Apoio estatal e o futuro da mineração
Apesar das dificuldades estruturais, a VanEck estima que ao menos 13 países participam da mineração de Bitcoin com algum grau de apoio estatal, visando soberania energética ou monetária. Essa reorganização tende a concentrar operações em atores com acesso a energia mais barata e infraestrutura superior, elevando a barreira de entrada do setor.
Discussões públicas sobre criptomoedas e seus usos têm ganhado tração, com figuras como Elon Musk ocasionalmente comentando sobre o papel das criptomoedas na economia digital. Essas narrativas ajudam a moldar a percepção institucional sobre o ecossistema cripto de longo prazo.
O que esperar
Historicamente, quedas na taxa de hash foram seguidas por retornos positivos do Bitcoin em 65% dos casos após 90 dias. Em períodos de contração da taxa de hash ao longo de janelas de 90 dias, o retorno médio em seis meses alcançou 72%, sugerindo que capitulação de mineradores costuma coincidir com exaustão da pressão vendedora.
O mercado aguarda agora uma entrada mais consistente de capital comprador. A recuperação das médias móveis de 200 períodos é considerada condição necessária para o restabelecimento de uma estrutura de alta consistente. Até lá, Bitcoin permanece em consolidação lateral, testando zonas inferiores em busca de demanda suficiente para absorver a oferta em aberto.