Pressões do Boom de Produção Global sobre as Avaliações de Commodities
A perspetiva para a produção global de café apresenta uma imagem de abundância em vez de escassez. Segundo o relatório bienal do Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA, divulgado em dezembro, a produção mundial de café para 2025/26 deverá atingir um recorde de 178,848 milhões de sacos — um aumento de 2% face ao ano anterior. Dentro desta expansão, a produção de café robusta deverá subir 10,9% para 83,333 milhões de sacos, enquanto a de arábica deverá contrair-se 4,7% para 95,515 milhões de sacos. Este aumento de oferta, particularmente no segmento de robusta, está a criar obstáculos significativos para os traders que monitorizam o mercado de Londres e além.
A expansão do cultivo no Vietname agrava ainda mais a narrativa de baixa. A produção de café do país para 2025/26 está projetada para subir 6,2% para 30,8 milhões de sacos, marcando um pico de quatro anos. Mais imediatamente, as exportações do Vietname para 2025 já aumentaram 17,5% face ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas. A Associação de Café e Cacau do Vietname prevê um cenário ainda mais dramático: se o clima permanecer favorável, a colheita de 2025/26 poderá potencialmente aumentar 10% acima do ciclo anterior. Como o principal produtor mundial de café robusta, o aumento de produtividade do Vietname impacta diretamente a dinâmica do mercado de Londres e a fixação de preços globais de commodities.
Alívio das Chuvas Encontra Resistência com Obstáculos Cambiais
Os contratos futuros de café arábica de março (KCH26) recuaram 3,41% durante as negociações recentes, enquanto o robusta de março (RMH26) caiu 1,02%. A retração reflete uma interação complexa de fatores de oferta e procura. As previsões de chuva no Brasil para a próxima semana aliviaram significativamente as preocupações de seca que anteriormente sustentaram os preços, com dados meteorológicos mostrando que Minas Gerais — a principal região de arábica do Brasil — recebeu apenas 67% da precipitação normal no início de janeiro, com 47,9 mm.
No entanto, a pressão sobre os preços vai além dos padrões meteorológicos. A subida do dólar americano para máximos de quatro semanas tem pesado sistematicamente sobre as avaliações de commodities globalmente, incluindo os futuros de café. Além disso, os importadores americanos têm restringido as compras de café brasileiro, com os embarques caindo 52% face ao ano anterior entre agosto e outubro, quando as tarifas estavam em vigor, totalizando apenas 983.970 sacos. Embora as taxas de tarifas tenham sido moderadas desde então, os estoques de café nos EUA permanecem baixos, limitando a recuperação da procura a curto prazo.
Previsões de Oferta versus Dinâmica de Inventários
A agência de previsão de colheitas do Brasil, a Conab, aumentou a sua estimativa de colheita para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, em dezembro, sugerindo uma produção robusta pela frente. Paradoxalmente, esta abundância está a sustentar a tendência de baixa atual, à medida que os traders precificam um aumento de fornecimento futuro.
Os níveis de inventário na ICE contam uma história mista. Os stocks de arábica caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, em novembro, antes de se recuperarem para 461.829 sacos até quarta-feira. Os inventários de robusta também caíram para mínimos de um ano em dezembro, mas desde então recuperaram para máximos de cinco semanas. Embora os estoques mais apertados a curto prazo ofereçam algum suporte, a Organização Internacional do Café observou que as exportações globais diminuíram marginalmente 0,3% face ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sinalizando uma procura limitada relativamente ao potencial de oferta.
Perspetivas Futuras e Implicações de Mercado
O USDA projeta que os stocks finais globais para 2025/26 irão contrair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos — uma reserva mais apertada do que os 21,307 milhões de sacos do ano anterior. No entanto, esta modesta diminuição ocorre num contexto de capacidade de produção recorde, sugerindo que desequilíbrios estruturais podem persistir. Para os traders de café robusta que monitorizam o mercado de Londres, a velocidade de produção do Vietname, aliada às perspetivas saudáveis de arábica no Brasil, indica uma pressão de preços sustentada, a menos que a procura acelere significativamente ou ocorram perturbações relacionadas com o clima.
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O Mercado de Café Robusta em Londres Enfrenta Obstáculos à Medida que as Previsões de Oferta Disparam e o Dólar se Fortalece
Pressões do Boom de Produção Global sobre as Avaliações de Commodities
A perspetiva para a produção global de café apresenta uma imagem de abundância em vez de escassez. Segundo o relatório bienal do Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA, divulgado em dezembro, a produção mundial de café para 2025/26 deverá atingir um recorde de 178,848 milhões de sacos — um aumento de 2% face ao ano anterior. Dentro desta expansão, a produção de café robusta deverá subir 10,9% para 83,333 milhões de sacos, enquanto a de arábica deverá contrair-se 4,7% para 95,515 milhões de sacos. Este aumento de oferta, particularmente no segmento de robusta, está a criar obstáculos significativos para os traders que monitorizam o mercado de Londres e além.
A expansão do cultivo no Vietname agrava ainda mais a narrativa de baixa. A produção de café do país para 2025/26 está projetada para subir 6,2% para 30,8 milhões de sacos, marcando um pico de quatro anos. Mais imediatamente, as exportações do Vietname para 2025 já aumentaram 17,5% face ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas. A Associação de Café e Cacau do Vietname prevê um cenário ainda mais dramático: se o clima permanecer favorável, a colheita de 2025/26 poderá potencialmente aumentar 10% acima do ciclo anterior. Como o principal produtor mundial de café robusta, o aumento de produtividade do Vietname impacta diretamente a dinâmica do mercado de Londres e a fixação de preços globais de commodities.
Alívio das Chuvas Encontra Resistência com Obstáculos Cambiais
Os contratos futuros de café arábica de março (KCH26) recuaram 3,41% durante as negociações recentes, enquanto o robusta de março (RMH26) caiu 1,02%. A retração reflete uma interação complexa de fatores de oferta e procura. As previsões de chuva no Brasil para a próxima semana aliviaram significativamente as preocupações de seca que anteriormente sustentaram os preços, com dados meteorológicos mostrando que Minas Gerais — a principal região de arábica do Brasil — recebeu apenas 67% da precipitação normal no início de janeiro, com 47,9 mm.
No entanto, a pressão sobre os preços vai além dos padrões meteorológicos. A subida do dólar americano para máximos de quatro semanas tem pesado sistematicamente sobre as avaliações de commodities globalmente, incluindo os futuros de café. Além disso, os importadores americanos têm restringido as compras de café brasileiro, com os embarques caindo 52% face ao ano anterior entre agosto e outubro, quando as tarifas estavam em vigor, totalizando apenas 983.970 sacos. Embora as taxas de tarifas tenham sido moderadas desde então, os estoques de café nos EUA permanecem baixos, limitando a recuperação da procura a curto prazo.
Previsões de Oferta versus Dinâmica de Inventários
A agência de previsão de colheitas do Brasil, a Conab, aumentou a sua estimativa de colheita para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, em dezembro, sugerindo uma produção robusta pela frente. Paradoxalmente, esta abundância está a sustentar a tendência de baixa atual, à medida que os traders precificam um aumento de fornecimento futuro.
Os níveis de inventário na ICE contam uma história mista. Os stocks de arábica caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, em novembro, antes de se recuperarem para 461.829 sacos até quarta-feira. Os inventários de robusta também caíram para mínimos de um ano em dezembro, mas desde então recuperaram para máximos de cinco semanas. Embora os estoques mais apertados a curto prazo ofereçam algum suporte, a Organização Internacional do Café observou que as exportações globais diminuíram marginalmente 0,3% face ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sinalizando uma procura limitada relativamente ao potencial de oferta.
Perspetivas Futuras e Implicações de Mercado
O USDA projeta que os stocks finais globais para 2025/26 irão contrair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos — uma reserva mais apertada do que os 21,307 milhões de sacos do ano anterior. No entanto, esta modesta diminuição ocorre num contexto de capacidade de produção recorde, sugerindo que desequilíbrios estruturais podem persistir. Para os traders de café robusta que monitorizam o mercado de Londres, a velocidade de produção do Vietname, aliada às perspetivas saudáveis de arábica no Brasil, indica uma pressão de preços sustentada, a menos que a procura acelere significativamente ou ocorram perturbações relacionadas com o clima.