Associação do setor de criptomoedas faz pressão junto ao Banco Central do Brasil para ajustar as regras de regulamentação

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Fonte: PortaldoBitcoin Título Original: Associações cripto pressionam BC por ajuste nas regras do setor com manifesto e reação judicial Link Original:

Nova regulamentação do Banco Central do Brasil provoca reação do setor

As novas regras do Banco Central para o mercado de criptomoedas continuam avançando, mas já geraram uma forte reação das associações representativas do setor. Associações como ABcripto e ABToken manifestaram apoio à criação de um marco regulatório mais claro e seguro, mas alertaram que alguns aspectos, especialmente relacionados a requisitos de prudência e tributação, podem ter efeitos contrários, como concentração de mercado, redução da competição e aumento de litígios.

Um dos principais focos do debate envolve as regras de capital mínimo e patrimônio líquido mínimo aplicáveis às empresas de provedores de serviços de ativos virtuais (SPSAVs). O novo marco divulgado pelo Banco Central no final do ano passado adota uma lógica baseada na atividade, estabelecendo diferentes níveis de exigência conforme o tipo de serviço prestado (como intermediação, custódia ou transferência de ativos de terceiros).

Reconhecendo avanços nesse modelo, a Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken) enviou nesta semana uma declaração técnica ao Banco Central, alertando que a calibração atual pode gerar exigências desproporcionais na prática.

Segundo a associação, a combinação de padrões estabelecidos na regulamentação pode levar a níveis de capital superiores a 10 milhões de reais, mesmo para modelos de negócio que não envolvam riscos de crédito ou custódia de ativos em grande escala. Para a ABToken, isso tende a elevar as barreiras de entrada, beneficiar grandes grupos e estimular a migração de empresas e usuários para ambientes não regulados.

“Nosso objetivo não é reduzir a rigorosidade regulatória, mas garantir proporcionalidade. Exigências de capital excessivas na fase inicial do marco regulatório podem sufocar a inovação, reduzir a competição e, paradoxalmente, afastar negócios do escopo regulatório,” afirmou Regina Pedroso, diretora executiva da ABToken.

O documento também aponta possíveis assimetrias regulatórias, destacando que instituições financeiras tradicionais que acumulam atividades de ativos virtuais podem, em alguns casos, enfrentar requisitos de capital inferiores aos das SPSAVs, mesmo exercendo funções semelhantes de custódia e intermediação.

Da mesma forma, a Associação Brasileira do Mercado de Criptomoedas (ABcripto) afirmou que, nesse tema, compreender que “o fortalecimento prudencial é um objetivo legítimo, mas a avaliação dessas regras deve ser proporcional” é fundamental.

“O mercado de criptoativos é diversificado, com tamanhos e modelos de negócio variados. Regras excessivamente rígidas ou uniformes podem, ao final, limitar a competição, dificultar a inovação e concentrar o mercado,” destacou a associação.

Entre as recomendações, a ABToken defende a adoção de um sistema de classificação por níveis, incluindo a criação de uma categoria de “SPSAV de pequeno porte”, com limites operacionais claros, requisitos de governança proporcionais e capital compatível com o risco efetivamente assumido.

A associação também solicita que, ao aplicar novas exigências às empresas já em operação, seja adotada uma abordagem gradual, respeitando o período de transição previsto na própria regulamentação do Banco Central e alinhando-se às experiências internacionais, como a regulamentação europeia MiCA.

Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em Criptomoedas

Outro tema sensível na nova regulamentação envolve a possível tributação de ativos virtuais por meio do Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (IOF), especialmente em operações com stablecoins. Júlia Rosin, presidente da ABcripto, afirmou em entrevista que, se o governo avançar na cobrança por decreto, sem uma discussão legislativa mais ampla, a entidade poderá adotar medidas judiciais.

Em nota enviada à nossa plataforma, a ABcripto reconhece que regras claras são essenciais para oferecer segurança jurídica ao setor e aos usuários, mas reforça que as stablecoins não podem ser equiparadas a moeda fiduciária. “O marco legal dos criptoativos deixa claro que ativos virtuais não se confundem com moeda nacional ou estrangeira,” afirmou a associação. Para a entidade, tratar operações com stablecoins como operações de câmbio para fins fiscais extrapola o que a legislação prevê.

A associação também destacou que a inclusão de certas operações de ativos virtuais no mercado de câmbio pelo Banco Central tem finalidade regulatória, para monitoramento e supervisão, e não para criar uma nova base de arrecadação.

Além disso, a ABcripto apontou que já há “incidência de IOF em pontos específicos do ecossistema, como na emissão de stablecoins (minte) — ocorrendo apenas quando há troca efetiva de moeda tradicional por reserva do emissor.”

Para a ABcripto, qualquer mudança que amplie o alcance do IOF sobre ativos virtuais deve passar pelo Congresso, preferencialmente por meio de lei complementar, garantindo previsibilidade e segurança jurídica. A entidade também acompanha de perto a regulamentação promovida pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda, defendendo que tanto os requisitos de prudência quanto os de tributação considerem os riscos reais de cada atividade, estabelecendo fases de transição e diálogo com o setor.

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