O Camboja aprova a sua primeira lei anti-fraude tecnológica, reforçando as normas de aplicação para combater fraudes de telecomunicações online

O Parlamento do Camboja aprovou por unanimidade, no final de Março, a Lei Anti-Crime de Tecnologia «lei anti-fraude tecnológica», com o objetivo de erradicar problemas cada vez mais graves no país, como fraudes online e tráfico de pessoas. A proposta de lei estabelece tipos penais específicos para atos como fraudes organizadas e branqueamento de capitais, com pena máxima de prisão perpétua.

Novas normas alargam o âmbito da aplicação e aumentam as multas

A Assembleia Nacional do Camboja teve 112 deputados, a 30 de Março, que votaram todos a favor, aprovando uma nova lei especialmente direcionada para a fraude tecnológica. Segundo a notícia, a proposta de lei acrescenta cinco acusações centrais, cobrindo um âmbito que vai desde o recrutamento e formação de pessoal, até à recolha maliciosa de dados pessoais, passando pela execução de fraude e branqueamento de capitais. No passado, o Camboja carecia de normas legais para restringir a fraude online, o que levou as autoridades encarregadas da execução da lei a encontrarem dificuldades ao definir crimes emergentes de tecnologia. A criação da nova lei veio colmatar lacunas jurídicas. Para os autores de fraude online em geral, a nova lei prevê prisão de dois a cinco anos e uma multa máxima de 125.000 dólares, enquanto, para os responsáveis ou operadores de parques de fraude, a pena de prisão aumenta para cinco a dez anos e o limite máximo da multa sobe para 250.000 dólares.

Golpes do «pig butchering» (golpes do engate emocional) que induzem as vítimas a investir em criptomoedas como a maior categoria de perdas

Uma empresa de análise de blockchain, a Chainalysis, concluiu que as burlas, vulgarmente conhecidas como «Pig Butchering Schemes», associadas a estes esquemas, se baseiam em enganar por meio de aplicações de mensagens e redes sociais, estando relacionadas com investimentos em criptomoedas. As vítimas são frequentemente primeiro induzidas a estabelecer relações emocionais e, depois, a investir em criptomoedas. Os dados da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) indicam que o total anual destas perdas relacionadas já ultrapassou 1.000 milhões de dólares, e o FBI também classificou as fraudes de investimento relacionadas com criptomoedas como a categoria com maior escala de perdas. Para fazer face a esta tendência, os prestadores de serviços de criptomoeda começaram a criar mecanismos de cooperação com as autoridades de aplicação da lei. Em 2023, o emissor de stablecoins Tether cooperou com a investigação do Departamento de Justiça dos EUA, congelando 225 milhões de dólares em USDT relacionados com grupos de burla no Sudeste Asiático, demonstrando que a tecnologia de rastreio de ativos digitais se tornou uma ferramenta-chave na investigação criminal moderna.

Sob pressão internacional, o Camboja finalmente avança com a nova lei

O avanço de novos diplomas legais no Camboja está intimamente relacionado com a pressão da comunidade internacional. A Reuters indicou que, no final de Março, o Governo do Reino Unido aplicou sanções à empresa Legend Innovation, alegadamente envolvida na exploração de parques de burla, e à plataforma de negociação de criptomoedas Xinbi. O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico considerou que o parque pode acolher 20.000 trabalhadores traficados, envolvendo a venda de dados pessoais roubados. O ministro dos Negócios Estrangeiros no departamento, Stephen Doughty, sublinhou que estas sanções visam interromper as cadeias de financiamento das organizações criminosas, incluindo o congelamento de ativos imobiliários localizados em Londres. Devido a críticas de longa data, por parte da comunidade internacional, ao fraco controlo do Governo do Camboja sobre as atividades de burla, esta legislação foi também interpretada como uma tentativa do Camboja de reparar a sua reputação internacional, em resposta a ações concretas de aplicação conjunta da lei por parte de países como os Estados Unidos e o Reino Unido, entre outros.

Além de visar fraudes económicas, a nova lei reforça significativamente a responsabilidade criminal por crimes de violência associada. O ministro da Justiça do Camboja, Keut Rith, afirmou que muitas vítimas provenientes de países asiáticos são atraídas por falsas promessas de emprego bem remunerado e, em parques fortemente vigiados, são forçadas a trabalhar. A proposta de lei estabelece explicitamente que, se um caso de burla envolver tráfico de pessoas, detenção ilegal ou coação violenta, a pena relacionada será aumentada de forma significativa para 10 a 20 anos, e, em casos particularmente graves, até pode resultar em prisão perpétua. Neste momento, a proposta de lei está a ser enviada para apreciação no Senado e, por fim, será assinada pelo rei Norodom Sihamoni para entrar em vigor. O Governo tinha previamente prometido levar a cabo uma operação de grande escala até ao final de Abril, para encerrar os centros ilegais de burla no país.

Este artigo «O Camboja aprova a primeira lei anti-fraude tecnológica, reforçando as normas de combate à fraude de telecomunicações e à fraude online» surgiu pela primeira vez em Cadeia Notícias ABMedia.

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