O Ministério Público da Flórida instaurou uma investigação à OpenAI, suspeitando que o ChatGPT ajudou a planear um atentado com armas numa escola, e envolvendo preocupações de segurança nacional e de autolesão de menores. A OpenAI nega as acusações e sublinha que mais de 900 milhões de pessoas utilizam a sua tecnologia com segurança todas as semanas, afirmando que irá colaborar com a investigação para impedir crimes relacionados com IA.
Segundo a informação divulgada pela Axios, a procuradora-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou que o gabinete local já iniciou uma investigação à OpenAI. As razões da investigação incluem receios de segurança nacional, e também, no ano passado, no tiroteio na Florida State University, em que o ChatGPT terá tido um papel de alegada assistência ao agressor na planificação do crime. O âmbito da investigação ainda não está claro, mas os procuradores irão emitir intimações.
Num vídeo publicado na plataforma de redes sociais X, Uthmeier indicou que, a IA deve promover o desenvolvimento humano e não ser usada para destruir a humanidade. Sublinhou ainda que o Governo do estado exige que a OpenAI preste esclarecimentos sobre os danos aos direitos das crianças e sobre atividades que ponham em risco a segurança da população e que tenham contribuído para o tiroteio.
Uthmeier afirmou que o ChatGPT tem ligação a casos de autolesão e suicídio de menores. Disse que, no tiroteio na Florida State University, a 17 de abril de 2025, que causou dois mortos e cinco feridos, o atirador Phoenix Ikner poderá ter usado esta ferramenta para planear a ação.
Também manifestou preocupação com o risco de os dados da OpenAI serem utilizados pelo Governo chinês e referiu que, quando as empresas de tecnologia lançam novas tecnologias, não podem colocar a segurança do público em perigo. Salientou que nenhuma empresa tem o direito de prejudicar crianças, fomentar o crime ou ameaçar a segurança nacional; e que as empresas que violem as regras enfrentarão processos legais.
Perante as acusações, a OpenAI pronunciou-se para refutar que o ChatGPT tenha ajudado a planear um ataque armado e sublinhou os seus esforços em matéria de medidas de segurança.
Um porta-voz da OpenAI afirmou que, mais de 900 milhões de pessoas utilizam o ChatGPT semanalmente para melhorar as suas vidas, abrangendo a aprendizagem de novas competências e a navegação por sistemas de saúde; o trabalho de segurança contínuo da OpenAI desempenha um papel fundamental tanto na prestação de benefícios ao público como no apoio à investigação científica.
A OpenAI comprometeu-se a colaborar com a investigação, sublinhando que a intenção com que desenvolve a tecnologia é compreender as intenções dos utilizadores e responder de forma segura.
A investigação na Flórida à OpenAI reflecte que a indústria de IA enfrenta um período de escrutínio rigoroso. Os robôs, como o Gemini da Google e o Grok desenvolvido pela xAI, do magnata Elon Musk, têm sido criticados recentemente por causa da forma como lidam com avisos sobre perigos.
Entre estes, o Grok e ainda a plataforma X (antigo Twitter) foram ainda mais alvo de polémica por alegadamente incentivarem a criação e a circulação de imagens com exploração sexual de menores através de uma funcionalidade de edição de imagens com um só clique.
Um dia antes de os EUA anunciarem o início da investigação na Flórida, a OpenAI referiu que já tinha trabalhado com a força-tarefa de IA do Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas e com a coligação de procuradores-gerais para definir uma estrutura de prevenção, enquanto o parlamento da Flórida já tinha aprovado, mais cedo este ano, o Projeto de Lei n.º 245.
A referida proposta de lei atualiza a legislação do estado, adotando de forma clara a terminologia relativa a materiais de abuso sexual de crianças, com o objetivo de lidar com conteúdos ilícitos gerados por IA e colmatar lacunas; o governador da Flórida, Ron DeSantis, assinou a lei a 1 de abril.
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