Pôr em prática o «projeto de lei dos génios»! Os EUA vão regular os emissores de stablecoins, que tenham capacidade de «congelar transacções» para combater a lavagem de dinheiro

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O Ministério das Finanças dos EUA classificou oficialmente os emissores de stablecoins como «instituições financeiras», exigindo que cumpram o Bank Secrecy Act e implementem regulamentos de combate à lavagem de dinheiro. Além disso, o responsável pela conformidade do emissor deve ser um residente dos EUA sem registo criminal.

O Ministério das Finanças, em colaboração com dois grandes departamentos, concretiza a supervisão; os negócios de stablecoins são oficialmente incluídos como instituições financeiras

O Ministério das Finanças dos EUA deu ontem (4/8) um passo-chave em termos de supervisão. A sua Financial Crimes Enforcement Network (FinCEN) e o Office of Foreign Assets Control (OFAC) emitiram em conjunto uma proposta de regulamento, com o objetivo de implementar integralmente a Lei GENIUS aprovada em julho de 2025.

O núcleo desta estrutura de supervisão consiste em definir os «Permitted Payment Stablecoin Issuers» (PPSIs) como «instituições financeiras» no âmbito do Bank Secrecy Act (BSA). O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou de forma inequívoca num comunicado que o principal objetivo desta proposta é proteger o sistema financeiro dos EUA de ameaças à segurança nacional, garantindo simultaneamente que as empresas dos EUA consigam manter de forma contínua a sua competitividade no ecossistema de pagamentos com stablecoins.

O impulso desta lei reflete a ambição da administração Trump de posicionar os EUA como líder global dos ativos digitais e revela também uma postura firme do Governo face à defesa da segurança nacional.

Reforçar a conformidade AML e de sanções, conferindo aos emissores a autoridade de congelar transações

De acordo com esta nova regulamentação proposta, os emissores de stablecoins assumirão responsabilidades legais equivalentes às dos bancos tradicionais. Os emissores devem estabelecer um plano abrangente de combate à lavagem de dinheiro (AML) e de combate ao financiamento do terrorismo (CFT), e possuir capacidade para detetar e reportar ativamente atividades suspeitas. A nova regulamentação exige explicitamente que os emissores tenham, a nível técnico, a autoridade para «intersetar, congelar e rejeitar» transações específicas, de forma a responder a pedidos das autoridades de aplicação da lei, bloqueando fluxos de fundos associados a pessoas envolvidas em atividades ilegais.

Snir Levi, CEO da empresa de inteligência blockchain Nominis, indica que esta mudança transforma os emissores num tipo de «guardião de portais» semelhante aos bancos; no futuro, o mercado verá ações de congelamento de carteiras, interceção de transações e apreensão de ativos em maior escala.

O Tesouro considera que estas obrigações são «ajustadas à medida» e adequadas aos fins; a autoridade ajustará os padrões com base na dimensão do emissor e na complexidade do negócio, tentando equilibrar o combate ao crime com a promoção do desenvolvimento tecnológico, para evitar impor uma carga administrativa excessiva à indústria.

Selecionar com rigor o responsável pela conformidade; colaboração interdepartamental para criar um ecossistema de numerário digital

Para assegurar que o plano de conformidade é executado de forma eficaz, a proposta define limiares rigorosos para a estrutura de pessoal dos emissores. No futuro, os emissores de stablecoins terão de nomear pessoal dedicado para operar um sistema de defesa contra o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo. Esse responsável terá de residir nos EUA e está terminantemente proibido de ser nomeado para este cargo por pessoas com registo criminal de crimes, como crime de insider trading, crime informático ou fraude financeira. Além do Ministério das Finanças, a Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) e a Office of the Comptroller of the Currency (OCC) também publicaram, em sequência, regras de implementação relacionadas.

A FDIC esclareceu especialmente na proposta que, embora os depósitos de reservas dos emissores de stablecoins sejam protegidos, titulares individuais de stablecoins não serão abrangidos pela proteção do seguro federal de depósitos. O analista de alto nível da Moody’s, Warren Kornfeld, avaliou que, se estas regras forem implementadas na íntegra, será criado no sistema bancário um ecossistema de numerário digital estratificado, e as fronteiras entre bancos tradicionais e ativos digitais tornar-se-ão ainda mais sobrepostas.

  • Notícias relacionadas: Nova regra da FDIC dos EUA para stablecoins! Reservas com exigências rigorosas, sem garantia de depósito de 250 mil dólares por pessoa

Perspetivas de mercado e luta política: riscos e oportunidades enfrentados pelos emissores de stablecoins

Com a Lei GENIUS prevista para entrar em vigor de forma plena em 2027, grandes emissores como Tether, Circle, Ripple e a World Liberty Financial, ligada à família Trump, aguardam o estabelecimento das disposições finais. Apesar do aumento da pressão regulatória, de forma geral, a indústria considera que a clarificação da regulamentação ajudará os ativos em stablecoins a avançarem para o mercado mainstream. Segundo previsões do relatório da Chainalysis, até 2035 o volume anual de transações de stablecoins poderá disparar para 1.500 triliões de dólares.

Fonte da imagem: Chainalysis A Chainalysis prevê que, em 2035, o volume anual de transações de stablecoins poderá disparar para 1.500 triliões de dólares

No entanto, a luta política ainda não parou: o debate no Senado sobre a Lei CLARITY continua num impasse. O White House Economic Adviser’s Committee manifesta-se contra a proibição de ganhos em stablecoins, argumentando que a proibição não ajuda a proteger empréstimos bancários e, pelo contrário, aumentará os custos para os utilizadores.

No contexto internacional, o Irão anunciou recentemente um plano para cobrar uma portagem de 1 dólar por barril de petróleo transportado por petroleiros que atravessem o Estreito de Ormuz, utilizando para isso Bitcoin ($BTC) de modo a contornar sanções. Este tipo de risco financeiro ilegal gerado por conflitos geopolíticos promove o Tesouro dos EUA a acelerar a criação de um mecanismo de controlo rigoroso através da Lei GENIUS.

Leitura adicional
Estudo da Casa Branca: proibir os juros das stablecoins para proteger empréstimos bancários quase não tem utilidade; antes retira benefícios aos consumidores
Ormuz aberto! O Irão exige pagamento das portagens em Bitcoin; o Golfo Pérsico continua em «grande engarrafamento»

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